A quadrilha que agia em Curitiba desde
outubro passado. Carimbos de empresas
e carteriras de trabalho foram apreendidas.

Uma quadrilha, acusada de aplicar o golpe do seguro desemprego em Curitiba, foi desarticulada por investigadores do 8.º Distrito Policial (Portão). Cinco pessoas foram presas e autuadas pelos crimes de estelionato, formação de quadrilha e falsificação de documento público. O golpe, que vinha ocorrendo desde outubro do ano passado, deu um prejuízo aos cofres federais na ordem de R$ 700 mil, segundo cálculos da polícia. Estão presos: Ademir Dias Pereira, 45 anos, tido como o cabeça da quadrilha; o irmão dele, Silvio Dias Pereira, 34; a esposa dele, Fabiana Prestes de Oliveira, 21; e os agenciadores Nelson da Silva, 35, e Luciana Alves Rodrigues, 27. Com o grupo foram apreendidos 80 carimbos de empresas, 124 carteiras de trabalho e diversos procedimentos e guias necessários para a retirada do dinheiro.

A fraude consistia, basicamente, no recebimento do seguro desemprego pago pela Caixa Econômica Federal (CEF), no valor médio de R$ 470,00. O grupo era bem articulado e realizava funções que variavam desde a falsificação de carimbos de empresas conceituadas até o acompanhamento do desempregado à CEF para o recebimento do seguro.

Golpe

Os agenciadores procuravam pessoas humildes e, preferencialmente, que tivessem carteira de trabalho sem registros anteriores. Elas pessoas eram convencidas a entregar a carteira de trabalho mediante a promessa de receber algum dinheiro com a aplicação do golpe, portanto sabiam que estavam participando de um ato ilícito. De posse das carteiras, o grupo, em seu “escritório”, montado no Sítio Cercado, dava início ao processo. Carimbava as carteiras – com dados cadastrais das empresas – e depois emitia a rescisão do contrato de trabalho. Em seguida, levava o proprietário da carteira até o Sistema Nacional de Empregos (Sine) para dar entrada na documentação necessária para o recebimento do seguro desemprego. Depois, no dia agendado para o pagamento das parcelas do seguro desemprego, os integrantes do grupo acompanhavam o beneficiário até a CEF para o recebimento do bônus.

Conforme o combinado, os estelionatários ficavam com as duas primeiras parcelas do seguro. As demais parcelas eram para o dono da carteira de trabalho. Acontece que a partir da terceira parcela, normalmente a fraude era descoberta e o pagamento do benefício cancelado pela CEF.

Investigação

Como o golpe vinha acontecendo desde outubro, a “mutreta” começou a ser monitorada pela Corregedoria da Justiça do Trabalho, em Brasília. Após a verificação da fraude, os pagamentos dos benefícios eram cancelados e a polícia comunicada. Foi assim que os investigadores do 8.º DP conseguiram encontrar os “laranjas” do golpe. “Recebemos a informação da CEF que pessoas estavam tentando retirar uma das parcelas do seguro desemprego, cujo benefício estava bloqueado. Fomos até o local e detivemos os suspeitos”, informou o delegado Hertel Rehbein. A partir dos proprietários das carteiras de trabalho é que a polícia conseguiu desarticular a quadrilha.

Os agenciadores recebiam quantias que variavam entre R$ 30,00 e R$ 100,00 por carteira de trabalho arrecadada junto a populares. Para os líderes do grupo a quantia era bem maior. O delegado Hertel acredita que devido ao material apreendido, o faturamento girava em torno de R$ 5 mil por dia. Sobre os proprietários das carteiras de trabalho que consentiram na utilização do documento para a aplicação do golpe, eles podem ser indiciados como co-autores. As investigações duraram cerca de dois meses e prosseguem, de acordo com o delegado, no intuito de encontrar outros agenciadores. “Também pediremos a quebra do sigilo bancário dos envolvidos no crime, para saber o destino do dinheiro”, finalizou.