Parte da quadrilha suspeita de arrebatar seis presos, na madrugada de ontem, da delegacia de Campina Grande do Sul, foi presa em Piraquara, durante a tarde. O bando estava escondido a poucos metros da Companhia do Batalhão de Polícia de Guarda (BPGd), da Polícia Militar. Entre os seis detidos está um dos presos arrebatados. Ele se identificou como Paulo César Clemente, 22 anos, mas em sua ficha criminal consta o nome Paulo Henrique de Souza.

Um dos integrantes do bando conseguiu fugir dos policiais da Rotam (Rondas Ostensivas Tático Móvel), do BPGd. Três dos detidos teriam participação direta no arrebatamento. De acordo com o capitão Machado, eles fazem parte de uma quadrilha que pratica assaltos a residências e a malotes em Curitiba e região e no interior.

Arsenal

Com a quadrilha, foram apreendidas três espingardas calibre 12 e uma pistola 9 milímetros e munições, um radiocomunicador, um colete à prova de balas da empresa Veper, um aparelho de choque, celulares, cerca de R$ 520 em dinheiro, além de joias, que teriam sido roubadas de uma casa, em Laranjeiras do Sul, centro-oeste do estado.

Os demais presos se identificaram como Tiago Alessandro Alves dos Santos, 26 anos; Luiz Henrique Ventura, 19; Mizael Eder da Silva, 32; Marcio Alex Lourenço Cunha, 32, e Willians Santana de Sales, 25.

Telefonema

Por volta das 15h, os policiais receberam a informação que os suspeitos estariam num Golf preto. O carro foi interceptado na Rua Adelaide Schuli de Aguiar, a cerca de três quadras do batalhão. Dentro do carro, estavam Paulo, Tiago, Marcio e Mizael, que morava na casa onde os outros dois comparsas foram localizados. Segundo o capitão Machado, as armas e os demais equipamentos estavam no carro. Na casa, foram encontradas as joias e munições.

O Golf e uma moto apreendida na casa, segundo a polícia, pertenciam a Mizael. Os veículos não têm alerta de roubo ou furto. Os presos foram encaminhados para o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) onde terão suas identidades confirmadas.

Bandidagem chega pra quebrar tudo

Em vários carros, cerca de dez homens começaram a rondar a região da delegacia antes das 2h. Renderam um vigilante da prefeitura e outro que cuida das ruas do bairro, e colocaram as vítimas nos porta-malas, para evitar que chamassem socorro. O bando passou pela sede da Guarda Municipal, e os carros foram filmados pelo circuito de segurança. Após ter certeza que os arredores estavam desertos, eles estacionaram em frente à delegacia. Aos gritos, retiraram os reféns dos porta-malas, estouraram a porta da delegacia com tiros de espingarda calibre 12 e renderam os dois investigadores de plantão. Os vidros e cadeados quebraram e as marcas do chumbinho ficaram espalhadas pelo balcão e pela parede.

Puxado

Os investigadores foram obrigados a abrir a cela onde estavam Luiz Carlos Correia Palhano, 34 anos, e Paulo Henrique de Souza. Também fugiram Marcos Henrique de Lima, 19, Gilmar Veiga da Rocha, 23, e Everton Henrique dos Santos Lima, 20. Bruno Rodrigues Ferreira, 23, foi puxado pela quadrilha e deixou a cela à força. Para o delegado Vilciomar Voltaire Garcia, titular de Quatro Barras e que responde por Campina Grande do Sul nas férias do delegado Francisco Alberto Caricati, a quadrilha foi arrebatar Luiz e Paulo, e os outros presos aproveitaram para fugir. Não se sabe por qual motivo Bruno foi forçado a sair.

Limpa

Enquanto parte do bando arrebatava os presos, alguns arrombaram portas de dois cartórios e a sala do delegado-titular para roubar duas espingardas calibre 12, um radiocomunicador, algemas e uma máquina fotográfica. Também foram levados a pistola calibre 40 de um policial e documentos e cartões do outro plantonista. Quem tiver informações sobre os foragidos deve telefonar para (41) 3675-1135.

Conhecido na carceragem

A delegacia tem espaço para 15 presos e estava com 39. Luiz e Paulo foram os &uac,ute;ltimos a chegar, na madrugada de segunda-feira, presos pela Polícia Militar com dois revólveres calibre 38, toucas balaclava, radiocomunicadores e munições de vários calibres.

Luiz esteve preso outras duas vezes por porte ilegal de arma. Em dezembro de 2005, fugiu da 9.ª Subdivisão Policial, em Maringá, durante um culto religioso, mas foi recapturado. A atitude deu início a uma rebelião envolvendo quase 200 presos, que mantiveram os padres reféns.

CPAI

Condenado por roubo, Luiz foi transferido para a Colônia Penal Agroindustrial, de onde escapou. Ele foi preso novamente em fevereiro do ano passado, na Delegacia de Furtos e Roubos, ao acompanhar um colega que fazia um boletim de ocorrência. Meses depois, estava em liberdade novamente. Marcos foi preso em março, por receptação. Gilmar era reincidente pelo crime de roubo, e chegou à delegacia em maio. Everton foi detido no início do mês, suspeito de envolvimento em um homicídio, mas sua prisão era temporária e ele seria solto em poucos dias. Bruno estava preso por tráfico de drogas.

Veja na galeria de fotos a quadrilha.