Foto: Walter Alves/O Estado

Solemar atendia comerciantes.

Fraudar relógios medidores de energia elétrica da Copel transformou-se em "emprego fixo" para Solemar Sidnei de Oliveira, 35 anos. Em dois anos, ele montou uma carteira de clientes para quem adulterava os marcadores e cobrava de R$ 50,00 a R$ 500,00 pelo serviço. Nesse período, Solesmar acredita ter faturado aproximadamente R$ 40 mil. O golpe era aplicado em Curitiba e cidades da Região Metropolitana.

Uma denúncia levou policiais do 11.º DP (CIC) a investigar, no último mês, os passos do fraudador. Na madrugada de quinta-feira, após realizar a alteração de um relógio medidor para um cliente, Solemar foi detido ao transitar com seu carro (Astra prata), pela Rua Maestro Carlos Frank, Alto Boqueirão. Com ele, foram encontrados uma caixa de ferramentas, cinco lacres de segurança de medidores utilizados pela Copel, dois cheques, nos valores de R$ 70,00 e R$ 120,00, referentes a pagamentos de clientes, e R$ 1 mil, em dinheiro.

Após ser preso, ele denunciou alguns de seus clientes que foram detidos na seqüência das buscas no bairro Pinheirinho. Luiz dos Anjos Lima, 49; Cristiane Scatolin Quirino Cabral, 27, e Diomar Martins Quirino, 52, foram presos em flagrante e autuados pelo crime de furto de energia elétrica pelo delegado Gerson Machado. O marido de Cristiane, Jorge Luiz Cabral, foi autuado pelo crime, mas não foi detido em flagrante.

Golpe

Segundo as investigações da polícia, Solemar aproveitava seu conhecimento em eletricidade e procurava pessoas interessadas em adulterar o relógio medidor de energia elétrica de suas casas ou de estabelecimentos comerciais, para registrar menor gasto de energia. O golpe consistia basicamente em romper o lacre do medidor e alterar a medição do consumo em quilowatts.

O ganho de Solemar pelo trabalho prestado era equivalente à quantidade adulterada de quilowatts no relógio. Quanto mais quilowatts baixados do medidor, mais caro o serviço era cobrado.

De acordo com o delegado, quem se beneficiava com o golpe eram comerciantes e pessoas que têm condições de pagar pela eletricidade que consomem. Os "clientes", presos em flagrante, são proprietários de minimercados.