Sidnei colecionava as chaves
das casas que invadiu.

A boa vida que Sidnei Cordeiro, 37 anos, levava, graças aos furtos a residências que realizava desde o final de 2002, terminou na última segunda-feira, quando ele foi detido por populares depois de ser reconhecido por uma de suas vítimas. O detido – que era procurado pela polícia – aplicava seus golpes em várias regiões da cidade e, em média, furtava duas casas por semana.

De acordo com os policiais do 11.º Distrito (CIC), Sidnei usava de sua esperteza e “lábia” para conseguir ludibriar suas vítimas. Ele escolhia casas que estavam sendo anunciadas ou com placas para vender e ia visitá-las. Conversava com o proprietário e durante o bate-papo conseguia apanhar a chave – ou cópia – da porta da casa. Antes de ir embora, marcava um novo encontro com o vendedor da casa e propunha que eles se deslocassem até um cartório para concretizar o negócio. Na frente do cartório, informava à vítima que iria buscar sua esposa para que ela assinasse o contrato. Nesse espaço de tempo – aproveitando que o proprietário não estava na residência – ele retornava ao local e furtava os objetos da casa que lhe interessavam. “Normalmente levava televisores, DVDs e aparelhos de som”, disse um policial.

Receptadores

A polícia não tem idéia de quantos golpes desse tipo foram aplicados por Sidnei, mas até o momento já indiciou por receptação mais de dez pessoas que compraram os objetos roubados pelo indivíduo. Uma das salas do 11.º DP está tomada pelos objetos recuperados pelos policiais na casa do detido e dos receptadores. “As investigações continuam e a tendência é chegar cada vez mais vítimas depois que o reconhecerem”, informou o delegado Sérgio Taborda. O detido afirmou ter invadido aproximadamente 25 casas, número bem inferior ao estimado pela polícia.

Devido às dezenas de chaves de residências apreendidas junto com Sidnei, avalia-se que a agenda dele de furtos era lotada. O detido também era organizado, pois cada chave continha uma etiqueta com endereço para ele não se enganar. “Uma vez descuidei uma chave de dentro de uma casa, mas ela era de carro. Fui até o carro e peguei a chave da residência”, relembrou o detido, mostrando sua frieza para cometer tal delito.

A prática de furtos era bem lucrativa para Sidnei. Ele revendia em média televisores por R$ 300,00, DVDs e aparelhos de som por R$ 250,00 e assim por diante. Como em cada residência furtada ele levava diversos eletrodomésticos – e atacava duas por semana – o rendimento da revenda das mercadorias lhe proporcionava um bom “salário”. Em todas as suas fugas de residências, ele utilizava um táxi para levar as mercadorias furtadas. “Algumas vezes, quando retornava para furtar a casa, havia adolescentes dentro e eu os convencia a me ajudar a carregar as mercadorias para o taxi”, gabou-se, adiantando que nunca ameaçou nenhuma vítima com arma.

Prisão

Sidnei foi preso quando tentava aplicar mais um golpe. No momento que saía de uma casa que acabara de furtar, no bairro Fazendinha, foi reconhecido por uma de suas vítimas que, com ajuda de populares, conseguiu agarrá-lo. A polícia foi acionada e o prendeu. Inicialmente, ele seria indiciado por furto, mas no distrito policial foi reconhecido por investigadores como o “homem das chaves”. Desde a sua prisão, várias pessoas já compareceram ao 11.º DP para apontá-lo como o autor dos golpes.

Sidnei já esteve recolhido por sete meses no xadrez da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) pelo mesmo crime. Saiu no final de 2001 e passou o ano seguinte trabalhando em uma empresa e posteriormente com o irmão.