A cinematográfica fuga de presos do Ahu, em fevereiro de 2000, quando treze detentos conseguiram tomar um caminhão e derrubar o muro do presídio, foi lembrada ontem na sessão do Tribunal do Júri. A fuga resultou na morte de um policial militar, integrante do Batalhão de Guarda dos Presídios. O detento Vanderlei Aparecido Just, acusado pelo homicídio, foi julgado e condenado a oito anos e quatro meses de reclusão.

João Carlos Vilas Boas, com 30 anos na época, foi baleado no peito durante a fuga da Prisão Provisória de Curitiba, liderada por Vanderlei Just. Dos treze detentos que escaparam, dois foram recapturados no mesmo dia. Um deles era Just. Ao ser detido, confessou ter sido o autor do disparo que matou o PM.

Armados

A operação de fuga começou por volta de 15h30 de 25 de fevereiro de 2000. Just, armado com uma pistola, rendeu o motorista do caminhão que fazia a coleta de lixo dentro do presídio. Imediatamente, os demais fugitivos desceram de duas celas que estavam com as grades das janelas serradas. Quase todos estavam armados e atirando.

Os treze subiram no caminhão e Just jogou o veículo contra o muro do presídio, invadindo o quintal da residência vizinha. Na rua, duas camionetas Ranger esperavam pelos fugitivos, mas uma delas pifou e alguns detentos saíram correndo. Tudo em meio a cerrado tiroteio. Na troca de tiros, o policial Vilas Boas foi atingido. Just foi preso poucas horas depois, em cerco policial perto do shopping Mueller.

Denúncia

A morte do PM gerou grande revolta na corporação. No mesmo dia, surgiu a informação de que a fuga tinha sido delatada um mês antes, em telefonema anônimo à direção do presídio – que não teria tomado providências para impedir.

O julgamento de Vanderlei Just foi presidido pelo juiz Rogério Etzel. Na defesa do réu atuou o advogado Darci Cândido de Paula. O promotor encarregado da acusação foi Cassio Roberto Chastalo.

Condenado

Em júri realizado na terça-feira, o réu Francisco Paiva Xavier do Nascimento, que respondia ao inquérito preso, foi condenado a seis anos de reclusão em regime semi-aberto. Em 14 de outubro de 2000, Xavier matou a facadas o catador de papéis José João de Oliveira Santos, na favela da Vila das Torres.