Dineo confessou os roubos.

A Polícia Civil identificou seis e prendeu um dos acusados de seqüestrar o gerente da agência do Banco do Brasil de Carambeí e sua família, em 7 de maio. Dineo Pedroso, 38 anos, foi detido sábado, após assalto a uma casa lotérica em Guarapuava, e apresentado ontem pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). O grupo, que seria chefiado por Silvio Moreira Fogaça, o “Reverendo”, é suspeito de cometer crimes em várias cidades do interior do Estado.

No sábado, dia 10, Dineo, Gláucio Galdino dos Santos e uma terceira pessoa trocaram tiros com a PM de Guarapuava durante o assalto à lotérica. O primeiro foi preso, Gláucio morreu no confronto e o outro fugiu. A delegacia daquela cidade informou a prisão de Dineo ao Cope, que já o procurava pelo seqüestro em Carambeí. “Estávamos de campana na casa que ele está construindo em Pontal do Paraná”, disse o delegado titular do Cope, Luiz Carlos de Oliveira.

Reincidência

Dineo confessou a participação nos casos de Carambeí e Guarapuava. “Foi bobeira, precisava de dinheiro”, justificou, afirmando que sua função era acompanhar os seqüestrados. “Mas deu errado, creio que a polícia estava em cima”, falou. Segundo o Cope, ele também usa o nome de Edson da Costa Marques, com o qual tem mandado de prisão por homicídio expedido pela justiça de Dourados (MS).

A quadrilha, de acordo com Oliveira, também conta com Osvaldo Clemente Pereira, Valdemir Luiz Pires, Márcio Adriano, “Viana” e “Eli”, além de “Reverendo”. “Reverendo” também utiliza os nomes Silvio Moreira Garcez e João Alves Rabelo. Todos estão foragidos e, segundo Oliveira, participaram do seqüestro do bancário. O grupo é suspeito de comandar seqüestro semelhante contra o gerente anterior da mesma agência de Carambeí, em maio de 2001. Na ocasião, os bandidos tiveram sucesso e conseguiram arrecadar R$ 180 mil antes de libertar as vítimas. Alguns dos integrantes do bando foram presos e apresentados pelo Cope em 2000, acusados de roubo a banco, mas conseguiram sair da cadeia. “Eles praticam ainda assaltos a lotéricas, que guardam bom dinheiro e oferecem menos risco que agências bancárias. Nas ações, têm ajuda de pessoas trazidas de outros Estados, que estamos identificando”, falou Oliveira.

Seqüestro

O gerente, a esposa e a filha de colo foram abordados às 22h do dia 7, na PR-151, rodovia que liga Carambeí a Ponta Grossa. Usando dois carros, os bandidos dividiram as vítimas: dois homens ficaram com o bancário, e a outra dupla com a mulher e o bebê. Mediante ameaça, o gerente foi levado à sua residência e ficou lá até as 5h30 do dia seguinte em companhia dos criminosos, que mantinham contato com os comparsas através do celular do bancário. Ele foi instruído a entregar-lhes R$ 1 milhão da agência para rever a família, que fora levada a um matagal.

O gerente cumpriu as exigências da quadrilha e no início da manhã foi ao banco retirar o dinheiro. Mas o sistema de segurança bloqueou a movimentação e acionou a delegacia local, que por sua vez chamou o Cope e o grupo Tigre (anti-seqüestro). Enquanto policiais se deslocavam de Curitiba a Carambeí, a esposa e a filha do gerente eram libertadas em Londrina. “A quadrilha percebeu a ação da polícia e desistiu do crime”, falou o delegado Oliveira.