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Liabe, dinheiro pra drogas.

A polícia apresentou, na tarde de ontem, Eliabe Lautério, 19 anos, apontado como o autor da morte do taxista Dorival Nogueira, 55 anos, fato ocorrido na noite do dia 16 de janeiro. Além do preso, foi mostrada a fotografia de um outro indivíduo que também teria participado do latrocínio (roubo seguido de morte) e está foragido. Trata-se de Ismael Alves Teixeira, mais conhecido por "Perna", que já tem contra si três mandados de prisão expedidos pela Justiça. Apesar de ter sido reconhecido por testemunhas, o preso não confessa a autoria do crime e diz desconhecer a história do assassinato.

Eliabe foi preso poucas horas depois da morte do taxista, internado em um Pronto-Socorro 24h com ferimentos na cabeça. Segundo a versão do detido, ele foi buscar ventiladores e telefones celulares que haviam sido furtados e que estavam escondidos na laje de uma casa, no Jardim Gramado, Sítio Cercado, com a intenção de trocá-los por crack. Enquanto carregava o produto pelo telhado, pisou em uma telha Eternit que quebrou, chamando a atenção do morador da casa. Eliabe foi surpreendido pelo morador, que desferiu um golpe na cabeça dele. Ferido, o acusado fugiu para o "mocó" – que divide com outros adolescentes – utilizado para o consumo de entorpecentes. Devido ao ferimento na cabeça, resolveu ir para o centro médico, onde terminou preso. "Tava em outra ?fita’. Não sei nada sobre a morte do taxista. Vou provar minha inocência", afirmou Eliabe, quando perguntado se assumia a autoria do crime. O suspeito foi preso no pronto-socorro por policiais militares que o encaminharam à Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV), onde foi reconhecido por um taxista. Para o delegado Alberto Cartaxo de Moura, da Delegacia de Homicídios, a história relatada pelo detido realmente aconteceu, porém foi após o latrocínio ter sido cometido.

Acusação

O delegado Itiro Hashitami, titular da DFRV, relatou que os suspeitos foram reconhecidos por testemunhas, inclusive por um taxista, que momentos antes do crime havia se negado a fazer a corrida para eles. "Perna" foi identificado como envolvido no latrocínio, através de uma fotografia cedida pelo serviço reservado do 13.º Batalhão da PM. A polícia chegou até ele através de diligências realizadas em conjunto pelas delegacias de Furtos e Roubos (DFR), Furtos e Roubos de Veículos (DFRV) e Homicídios (DH).

Outras mortes investigadas

Além da morte de Dorival, as três delegacias especializadas (Furtos e Roubos, Furtos e Roubos de Veículos e Homicídios) continuam investigando a morte de outros dois taxistas. Carlos Ricardo de Moraes, 27 anos, estava no ponto de táxi no Sítio Cercado quando fez sua última corrida, na madrugada de 30 de dezembro. Ele foi encontrado morto na Rua Alferes Pedro Magno de Barros, Vila São Pedro, Xaxim – três homens foram vistos saindo rapidamente do carro da vítima.

Em 13 de dezembro, João Lázaro da Silva, 50 anos, apanhou três pessoas no centro de Fazenda Rio Grande e foi baleado logo em seguida, no Jardim da Ordem, Tatuquara. Ele não resistiu e morreu no hospital.

De acordo com o delegado Alberto Cartaxo, não foi descartada a possibilidade de Eliabe e "Perna" estarem envolvidos no assassinato dos outros taxistas. O policial adiantou que os dois conviviam com outros jovens em um mocó, na Vila Tripa, Sítio Cercado, onde planejavam furtos e roubos para a aquisição de drogas, para manter o vício. "Naquele local existe um grupo agindo. Inclusive, ?Perna’ é temido na região", explicou o delegado Itiro.

A polícia investiga a possibilidade de outros integrantes do grupo estarem envolvidos nessas mortes, já que os latrocínios ocorreram numa localidade próxima à área de atuação desses indivíduos.

Segurança em andamento

Representantes da categoria dos taxistas e da Polícia Militar do Paraná reuniram-se na última segunda-feira para estudar uma solução que, ao menos amenize, a insegurança que assola os motoristas. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, o governo se propôs a criar um sistema de unificação entre os rádios da polícia e os dos taxistas.

Em protesto à morte de Dorival Nogueira, 55 anos, assassinado no último dia 16, cerca de 50 taxistas, além de amigos e parentes, reuniram-se no dia 18 em frente ao Palácio Iguaçu. A categoria reivindicou mais segurança, uma vez que este foi o terceiro caso de assassinato de motorista de táxi registrado em pouco mais de um mês.