A semelhança de Felipe Rodrigues, 22 anos, com o retrato falado do suspeito de atirar contra o ex-prefeito de Curitiba, Saul Raiz, 83, na noite de 26 de fevereiro, durante uma tentativa de roubo, fez com que a polícia chegasse até ele.

O rapaz, que tem passagens por furto e é usuário assumido de crack, foi interrogado na época do crime, mas apresentou álibi e foi liberado. Entretanto, a história não foi confirmada e a Justiça expediu um mandando de prisão temporária contra ele.
 
“Inúmeras denúncias foram feitas. Para que não prendêssemos um inocente, intimamos Felipe e ele não compareceu. Fizemos contato com a mãe dele, que o trouxe até a delegacia”, explicou o delegado Renato Bastos Figueiroa, da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos (DFRV). “Disse que no dia do crime estava na casa de um tio. Porém, quando conversamos com esse senhor, ele disse que não via Felipe há cerca de cinco anos”, esclareceu o delegado.
 
Algumas testemunhas, que estavam na esquina da Rua Visconde de Nácar com Alameda Júlia da Costa no momento dos tiros, foram convocadas pelo delegado. Elas dizem ter presenciado o momento em que Saul fugiu do grupo de marginais que tentava roubar sua caminhonete e foi alvejado duas vezes.

“Reconheceram Felipe com 100% de certeza”, declarou Figueiroa. Um menor de idade e outro adulto estão sendo investigados por participação na tentativa de homicídio.
 
Indícios de omissão
 
A delegacia continua investigando o possível caso de omissão de socorro do Hospital São Vicente. Mesmo baleado, o ex-prefeito conseguiu dirigir até a recepção do hospital e pediu socorro, porém não recebeu atendimento médico.

Um funcionário assumiu o volante da caminhonete e encaminhou Saul ao Hospital Evangélico. “Já ouvimos o médico plantonista, alguns enfermeiros e outros funcionários. Ainda falta interrogar dois outros servidores, mas podemos afirmar que há indícios de omissão de socorro por parte do médico”, comentou Figueiroa.