A venda de um fuzil estragado, por R$ 2 mil, foi o motivo do assassinato do casal de advogados Teomar Piaceski, 36 anos, e Lidiane Cristiane Côrtes Muhlstedt, 28, e a mãe dele, Marli Salete Jacob Muller, 55, em São José dos Pinhais.

O crime, ocorrido no final do mês passado, na chácara onde as vítimas moravam, foi elucidado pela delegacia local, e os suspeitos Maurício de Oliveira, 24, e Marcelo Klaus Correa Peruci, 28, estão presos. A polícia ainda procura por Carlos Augusto Cardoso, que teve seu mandado de prisão decretado pela Justiça.

Conforme apurado nas investigações, Teomar tinha, há algum tempo, um fuzil de uso restrito do Exército. Ainda não se sabe a procedência da arma, mas acredita-se que ele a tenha recebido de algum cliente, como forma de pagamento.

Há cerca de 45 dias, Teomar casou-se com Lidiane e o casal resolveu se desfazer da arma. “Por meio de seu irmão, que trabalhava em um posto de gasolina e conhecia Carlos, Teomar negociou a venda do fuzil”, disse o delegado Osmar Dechiche. Carlos intermediou a venda.

Pressão

De acordo com o delegado, a dupla comprou a arma por R$ 2 mil. “O fuzil não funcionou e eles passaram a pressionar Teomar para que devolvesse o dinheiro. O advogado tentou consertar a arma, mas não encontrou um local que fizesse o serviço”, contou Dechiche. Durante as tentativas de negociação, os compradores frequentaram a chácara do casal, em Borda do Campo, e o advogado forneceu a senha do portão.

Por esse motivo, no dia do crime, ninguém percebeu a entrada da dupla. Marcelo rendeu e imobilizou as mulheres na cozinha, enquanto Maurício foi com Teomar até o  quarto do casal.

Lá, ele encontrou a pistola calibre 380 do advogado e a usou para atirar na cabeça de Teomar. Em seguida, foi até a cozinha e, com sua pistola calibre 45, atirou na cabeça das mulheres.

De acordo com a polícia, antes de fugir, Maurício ainda disparou mais duas vezes em cada vítima. A dupla saiu com a pistola do advogado, o fuzil e uma televisão. “Acreditamos que o roubo da televisão foi apenas para simular latrocínio”, disse o delegado.

Aliocha Maurício/Reprodução
Marcelo e Maurício queriam desfazer o negócio.

Primeiro tiro “acidental”

Na manhã de quinta-feira, Maurício foi preso quando saía de sua residência, na divisa de Almirante Tamandaré com Tanguá. No local, havia um Audi A3 roubado e com as placas adulteradas. Perto da casa, a polícia também encontrou a pistola usada no crime.

Horas depois, Marcelo foi localizado e detido dentro de sua residência, na mesma região. Com ele, foram apreendidos um notebook roubado e duas pistolas. O fuzil e a pistola de Teomar estavam escondidos num matagal.

Tráfico

Segundo a polícia, Maurício e Marcelo confessaram o crime e contaram que fugiam desde o dia do triplo homicídio. Maurício alegou que o primeiro disparo foi acidental e que matou as mulheres para não haver testemunhas.

De acordo com Dechiche, a dupla faz parte de uma quadrilha de traficantes. “Os dois tinham antecedentes por roubo e estavam em regime aberto. Agora irão responder por latrocínio”, afirmou. Carlos é procurado pela polícia.