João e Ademar negam envolvimento no roubo.

Investigações aliadas a algumas coincidências fizeram com que policiais de São José dos Pinhais chegassem a três suspeitos de participar do assalto à praça de pedágio da Concessionária Ecovia, de onde foram levados R$ 110 mil. Dois deles foram presos e um terceiro está foragido. João Aparecido da Silva, 30 anos, funcionário da Ecovia, e Ademar Camargo da Silva, 34, foram apresentados ontem à imprensa e negam qualquer envolvimento no crime. De acordo com a polícia, outras duas pessoas que teriam participado da ação não foram identificadas. O foragido, que está sendo procurado, é Airton dos Santos, 36, primo de Ademar.

Duas frentes de investigação foram adotadas pelos policiais depois do assalto. A primeira partiu da apreensão do carro – Escort azul, placa AED-9196 – que foi utilizado no roubo. O carro não possuía queixa de furto ou roubo e seus ex-proprietários passaram a ser investigados. Depois da análise de oito nomes, a polícia chegou até Airton e Ademar, que são primos. Os dois foram levados à delegacia com a desculpa de que teriam que prestar informações sobre o Escort. Entretanto, a situação foi armada pela polícia para que a dupla fosse reconhecida pelos funcionários da Ecovia como participantes do assalto. Com o reconhecimento positivo, foi decretada a prisão preventiva deles, mas apenas Ademar foi preso. Airton conseguiu escapar.

Funcionário

A outra linha de investigação recaiu sobre o funcionário da Ecovia (João). Foi ele o rapaz rendido pelos assaltantes para que pudessem invadir o prédio da administração do pedágio, onde estava guardado o dinheiro. As suspeitas sobre João iniciaram após seu depoimento. Na ocasião, ele contou que, por ser funcionário da concessionária foi ajudar os ocupantes de um Escort, cujo carro estaria apresentando problemas mecânicos. “Fui rendido e obrigado a levar os assaltantes ao prédio”, relatou.

O fato de João ser um dos dois únicos funcionários a ter acesso às dependências do prédio e da sala na qual estava o dinheiro chamou a atenção da polícia. “Além dele, apenas o tesoureiro tinha acesso às salas, através de crachás com tarjas magnéticas. É muita coincidência que entre os outros 30 funcionários justamente ele – que tem designação interna – fosse rendido ao atender uma situação fora do prédio”, comentou o superintendente Altair Ferreira.

A partir dessa suspeita foram rastreadas as ligações telefônicas feitas por João no dia do assalto. Naquela data, meia-hora antes do crime, ele falou com um indivíduo cujo número do telefone celular está cadastrado em nome de um preso, em Campina Grande do Sul. “O preso disse que havia vendido o celular para outro homem e as investigações levaram novamente a Airton”, contou o policial.

Além do telefonema, outra “coincidência” ligava os primos a João. Todos moravam na mesma rua, em Pinhais.

As peças do quebra-cabeça foram unidas e juntamente com o reconhecimento feito pelos funcionários da Ecovia, – trancados num banheiro durante o assalto, – as prisões foram solicitadas e acatadas pela Justiça.

Versão

João nega ter participado do crime e fazer parte da quadrilha. “Trabalho há quatro anos como auxiliar técnico de manutenção e me pagam um bom salário lá. Não tinha motivos para cometer o assalto”, afirmou. O funcionário, em seu depoimento anterior à policia, inclusive ajudou a fazer o retrato falado de um dos supostos integrantes da quadrilha. Contra João, consta, em Pinhais, um indiciamento porque seu veículo foi utilizado em um homicídio naquela cidade. Ademar também afirma não ter nada com o crime, mas foi reconhecido por testemunhas. “Tenho como provar que não estava no pedágio naquele dia”, afirmou.

As investigações sobre o assalto continuam até que ele seja totalmente esclarecido. Segundo diligências, os principais mentores do delito ficaram com R$ 30 mil, enquanto os demais, com R$ 17 mil. Altair Ferreira disse ainda que o Airton fugiu logo após comprar um Fiat Tipo.