Os bandidos que escolhiam vítimas por classificados em jornais ou internet estão na cadeia. Cleberson de Souza, 28 anos, e Adriano Elói de Oliveira, 26, são acusados de serem os responsáveis por aterrorizar uma família, na Cidade Industrial, por 10 horas, na terça-feira da semana passada.

Além de roubar os objetos da casa e pertences pessoais, Cleberson estuprou a moradora duas vezes. Também foram presos a mulher dele, Patrícia Camila Amâncio, 20; a esposa de Adriano, Cíntia Cristina da Conceição, 25; Jéferson Jakies de Oliveira, 39; Janaína Prestes Mateus, 23; e Priscila Alves de Chaves, 21.

De acordo com o delegado Luiz Carlos de Oliveira, titular da Delegacia de Furtos e Roubos, a polícia iniciou as investigações a partir das imagens registradas por um banco, onde os marginais fizeram saques com cartões do casal. Cleberson e Adriano foram identificados e foi expedido mandado de prisão contra eles.

Átila Alberti
Adriano admitiu o assalto.

No início da noite de anteontem, os investigadores da DFR prenderam Adriano e a mulher dele, Cíntia, em um shopping de Curitiba. Eles estavam armados. Depois, prenderam Cleberson, na Praça Rui Barbosa, onde ele aguardava pelo comparsa.

Em seguida, detiveram Patrícia e os demais, apontados como receptadores dos produtos roubados. Na casa de Jéferson, a polícia recolheu a maioria dos objetos levados da família e de outras vítimas. Televisores, aparelhos de som, computadores portáteis e filmadoras, entre outros pertences, foram levados à delegacia, onde ocuparam uma sala.

Confissão

Na delegacia, Cleberson confessou ter praticado os estupros, mas não falou sobre o que o levou a cometer tamanha crueldade. De acordo com os investigadores, há pelo menos dois anos e meio Cleberson pratica crimes da mesma maneira.

Ele é acusado de, em fevereiro de 2006, ir até a casa de uma mulher, depois de ver o anúncio da venda de móveis no jornal. Dela, ele roubou R$ 40 mil, o que lhe rendeu mandado de prisão, que estava em aberto.

Átila Alberti
Cleberson disse que estuprou.

Adriano e Cleberson confessaram o assalto e os outros detidos, a receptação dos produtos. Eles foram autuados por formação de quadrilha e pela participação de cada um, no crime.

Vítimas tentam superar trauma

Alívio e gratidão à polícia. Assim o casal definiu o que sentiu quando soube da prisão dos marginais. Ontem à tarde, a família foi à delegacia recuperar os produtos roubados. Apesar de saber que os bandidos estão na cadeia, o casal garante que o trauma será difícil de ser esquecido.

Ainda chocada e tomando medicamentos de prevenção ao vírus da aids, o que lhe provoca enjôos, vômitos e diarréia, a manicure de 33 anos relembrou o que viveu na última terça-feira nas mãos de Cleberson.

“Ele dizia que eu era bonita e gostosa, me beijava e me estuprava, enquanto apontava a arma para mim”, contou a mulher, que está sob tratamento psicológico.

O marido dela, metalúrgico de 38 anos, que junto com o filho da mulher passou horas sob a mira de um revólver disse que ficou sem ação. “Foi horrível vê-la sofrer daquele jeito, sem poder fazer nada. Mas se eu reagisse, poderíamos todos morrer.”

Hoje, Cleberson será levado ao Hospital das Clínicas para fazer exame de HIV. Se for comprovado que ele não tem o vírus da aids, os medicamentos da manicure poderão ser suspensos.

Violência

Cleberson e Adriano foram até a casa da fam&iac,ute;lia com o pretexto de comprar o computador anunciado pela internet. Renderam o casal e o filho da mulher. Para não despertar a atenção da polícia, passaram a noite na casa e foram embora apenas às 6h da manhã.

Cleberson estuprou a manicure às 21h e às 3h da madrugada. Desde o dia do crime a família ficou na casa de parentes. “Vamos nos mudar. Não há a menor condição de continuar vivendo onde tudo aconteceu”, disse o metalúrgico.

Marcas ficam pra sempre

A psicóloga Andréa Zabala da Velha explica que uma mulher nunca esquecerá a violência sexual. O estupro pode desencadear síndrome do pânico, depressão e culminar no fim do casamento. “Muitas se fecham e vivem essa dor para sempre”, diz ela.

E não é só a mulher que sofre com o estupro. O marido tem a sensação de ter sido invadido e é preciso que ele saiba apoiar a mulher. Para os filhos, sobram o trauma e a revolta, que pode prejudicar sua vida sexual quando adultos. “É importantíssimo que o tratamento psicológico seja feito por toda a família. É o único remédio que existe par isso”, afirma Andréa.

Em análise superficial, a psicóloga comenta que é provável que Cleberson sofra de transtorno anti-social de personalidade, percebido quando a pessoa vai contra as normas sociais e não se importa com as conseqüências.

“Se for esse o diagnóstico do detido, provavelmente esta não foi a primeira vez que ele cometeu um estupro e, quando sair da cadeia vai cometê-lo outra vez. Trata-se de uma psicopatia sem correção”, avalia.