Os cinco acusados de extorquir o diretor de uma empresa em R$ 300 mil – junto com o megavigarista Neviton Caetano, 52 anos -não haviam sido encontrados pela polícia, até a tarde de ontem. Os jornalistas José Diniz, 37 anos, e Edson Silvestre, 33 anos; o policial militar Claudinei de Souza Alexandre, 33; o motorista Márcio Antônio dos Santos e o segurança Cornélio Luiz Goetz, 37, não haviam sido localizados nem se apresentaram ao Ministério Público (MP).

Em seu despacho, o juiz Francisco Eduardo Gonzaga de Oliveira, da 3.ª Vara Criminal, recebeu a denúncia do Ministério Público contra os seis acusados e marcou o interrogatório deles para as 14h45 do dia 30 de junho.

O juiz entendeu que no processo contra os acusados já há prova da “materialidade dos delitos imputados e indícios suficientes de autoria”. O magistrado citou que uma das vítimas informou no processo que todos os denunciados colaboraram com os crimes de extorsão e cárcere privado. A vítima também disse que ficou quase sete dias sob vigilância armada de Márcio, Cornélio e Claudinei. Quanto aos jornalistas, a mesma pessoa afirma que eles teriam participado do constrangimento imposto sob ameaça, obrigando-a a dar entrevistas com declarações falsas, para que a matéria fosse usada para extorquir o diretor de uma empresa. Outra vítima acusa o jornalista José Diniz de estar presente no momento em que Neviton exigiu R$ 300 mil para retirar a matéria do site TV Injustiça.

Oliveira entendeu que há fortes indícios de que existia uma associação entre os seis acusados para a execução dos crimes. Para finalizar, decretou a prisão preventiva dos acusados, visando a garantia da ordem pública.

OAB investiga advogados

Patrícia Cavallari

Dentro de 15 dias a Ordem dos Advogados do Brasil, secção Paraná, e a Comissão de Fiscalização da entidade, devem encerrar as investigações dos advogados que trabalharam para Neviton Pretty Caetano, na empresa Vera Cruz Empreendimentos e Assessoria. De acordo com o presidente da Comissão de Fiscalização da OAB de Curitiba, Samuel Ricardo Rangel Silveira, todos os advogados estão sendo analisados individualmente, já que o nível de responsabilidade e a culpa dos serviços ilegais prestados varia para cada profissional.

Desde que o escândalo envolvendo o estelionatário “estourou”, no começo do mês passado, integrantes da OAB vêm se reunindo para decidir qual será a punição aplicada aos advogados que foram coniventes com as tramóias de Neviton e, desta forma, infringiram o código de ética da profissão. De acordo com Samuel, alguns advogados, principalmente os recém formados, agiram de forma ingênua, sem saber a gravidade da situação em que estavam se envolvendo. Outros, mesmo cientes das irregularidades, resolveram permanecer na empresa. “Estamos levantando informações para saber qual foi a conduta de cada profissional para daí estabelecer as punições, que podem ser de caráter penal ou administrativo”, explicou Samuel

Tribunal

A Comissão de Fiscalização está investigando a participação de aproximadamente 40 advogados e deve representar contra cerca de 30 profissionais no Tribunal de Ética e Disciplina (TED), da OAB. A partir das provas colhidas, cada advogado representado terá o direito de defesa e, assim que julgado, poderá receber as punições que vão desde advertência, censura (advertência mais grave), suspensão das atividades profissionais por determinado período, ou exclusão dos quadros da Ordem.

Quanto à situação da advogada Andrezza Maria Beltoni, Samuel afirma que ainda não está definida qual punição lhe cabe.

Mina de ouro: 3 indiciados

A advogada Andrezza Maria Betoni, 28 anos, Neviton Pretty Caetano, 52 anos, e Fredy Arnoldo Sepulveda Diaz foram os três indiciados no inquérito policial montado pela Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas, que apura o caso de extorsão contra uma mineradora de Campo Largo.

O inquérito já faz parte dos autos 2004/4810-8, da 6.ª Vara Criminal e ontem foi enviado ao Ministério Público, para que a Promotoria de Investigação Criminal (PIC), analise o documento para oferecer a denúncia.

A advogada está presa na Delegacia de Estelionato e Neviton no xadrez do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). Como possui curso superior, Andrezza está em uma sala especial, enquanto Neviton está recolhido junto com presos comuns.

O defensor de Andrezza, Omar Geahs, entrou com pedido da revogação da prisão preventiva dela. O pedido está sendo analisado pelo juiz da Central de Inquéritos.