O Ministério Público do Paraná transferiu para a manhã de hoje o anúncio do nome do promotor de justiça que se encarregará de investigar a procedência dos 180 mil dólares que Eduardo Requião de Mello e Silva, ex-superintendente do Porto de Paranaguá, guardava em casa.

Ele já havia sido intimado duas vezes a esclarecer a procedência do dinheiro estrangeiro, mas se manteve calado. A Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público ficará responsável pelo caso.

O dinheiro estava num compartimento secreto do guarda-roupa do quarto do casal, junto com mais valores, e foi furtado, no início do ano passado, pela empregada doméstica EQJ, 45 anos.

Em 15 de setembro do ano passado Eduardo Requião denunciou o furto ao Centro de Operações Policiais Especiais, acusando a doméstica. Dois investigadores do Grupo de Diligências Especiais (GDE) foram designados para diligenciar e confirmaram que a empregada adquiriu muitos bens, móveis e imóveis, sem ter condições financeiras para isso. Ela, que trabalhou no apartamento de Requião durante quatro anos, foi demitida em seguida.

No inquérito, a doméstica confessou o furto e devolveu o valor em imóveis, com um bônus de R$ 205 mil, mediante a justificativa de cobrir “danos morais” e responsabilizou-se pelo pagamento das transferências em cartório para o nome do ex-patrão. Porém, em nenhum momento a origem do dinheiro foi questionada pela polícia.

Intimação

Quando os autos seguiram para o Juízo de Direito da Quinta Vara Criminal, já sob número 2009/19751-2, a juíza Luciane R. C. Ludovico expediu mandado de citação em 21 de janeiro de 2010, para que o advogado da acusada apresentasse resposta à acusação.

Na mesma data, a juíza também determinou ao oficial de Justiça que intimasse Eduardo Requião de Mello e Silva, residente no Batel, para que se manifestasse acerca da procedência dos dólares.

Este mesmo pedido já havia sido feito em 10 de dezembro de 2009, pela promotora Ângela Domingos Caslixto, que solicitava a apresentação do documento referente à compra do dinheiro americano.

Até hoje ele não deu qualquer explicação e isso motivou a nova investida do Ministério Público, desta vez na Promotoria do Patrimônio Público, para que o caso seja esclarecido.