O protesto de moradores do Umbará, que se revoltaram com o atropelamento de um menino na Rua Nicola Pellanda, resultou no assassinato de um parente do garoto.

Um motorista se irritou por conta do bloqueio no trânsito e atirou em Luiz Cleverson de Andrade, 27 anos. Pouco antes do homicídio, outro acidente foi registrado em outro trecho da rua.

Uma mulher de 56 anos e a neta dela, de 7 anos, foram atropeladas. A mulher morreu na hora. A sucessão de desgraças começou pouco antes das 13h, quando Eduardo Padilha Ramos, 11 anos, andava de bicicleta e foi atropelado por um caminhão.

Ele foi levado em estado grave de helicóptero ao Hospital Trabalhador, para onde também foi levado o caminhoneiro, Jorge Airton Barbosa, 69, que foi agredido por populares.

Poucas horas depois do acidente, moradores fizeram barricada e queimaram pneus, obstruindo a rua, no cruzamento com a Rua Miguel Ângelo Pellanda, para pedir a instalação de um semáforo ou redutor de velocidade.

Discussão

Como protesto continuou durante a noite, o motorista de um Toyota Corolla prata se exaltou, porque a rua ainda estava fechada. De acordo com informações da Delegacia de Homicídios, com base no relato de testemunhas, por volta das 23h30, o motorista teria sido abordado por Luiz Cleverson.

Segundo apurou a delegada Vanessa Alice, da DH, Luiz teria batido num dos vidros do carro e dado um chute na porta do motorista. O condutor abriu o vidro do veículo e atirou duas vezes contra o manifestante. Em seguida, fugiu em alta velocidade.

Um dos disparos atingiu o peito de Luiz. Mesmo ferido, ele correu, mas não resistiu e caiu na rua. Um rapaz que não quis ser identificado comentou que, durante a manifestação, populares atiravam pedras no veículo de que tentavam furar o bloqueio.

Por conta disso, a polícia não descarta que Luiz já tivesse discutido com o motorista do Toyota, que pode ter voltado para se vingar. A DH já trabalha no caso, mas ainda não há a identificação do assassino. Sequer há a certeza se o carro era mesmo de um Corolla prata.

Hospital

O menino atropelado continua internado na UTI. Eduardo sofreu fraturas na clavícula e na coluna e passaria por uma cirurgia na noite de ontem. Apesar disto, ele não corre risco de morte, nem de ficar paraplégico. Jorge teve apenas escoriações no rosto e foi liberado ainda na noite de quinta-feira do hospital.

Derrubada pelo retrovisor

Janaina Monteiro e Giselle Ulbrich

Em outro trecho da Rua Nicola Pellanda, pouco antes das 22h, Maria do Rosário de Melo, 56 anos, ia até um ponto de ônibus com a netinha, quando foi atingida pelo retrovisor de um carro.

Ela se desequilibrou e foi atropelada por outro veículo. De acordo com informações do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), Maria foi atingida por um Astra e morreu na hora. Geovana Vitória da Silva, 7 anos, também foi ferida e encaminhada ao Hospital do Trabalhador, mas, na manhã de ontem, já se recuperava bem.

Testemunhas informaram que o veículo atropelador estava em alta velocidade e fugiu sem prestar socorro às vítimas. Ninguém conseguiu anotar sua placa. Somente o veículo que atingiu Maria com o retrovisor parou para ajudar.

Investigação

A Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran) investiga este caso. Na tarde de ontem, investigadores conversavam com moradores e comerciantes locais, para colher informações que ajudassem a identificar o veículo e saber se algum estabelecimento possuía câmeras de segurança, que pudessem ter filmado o atropelamento. Já o caso de Eduardo, como não houve morte, ainda não é investigado.

Lombadas

Giselle Ulbrich

O Urbs informou ontem que pelo menos mais três lombadas deverão ser instaladas no Umbará. Dua,s delas na Rua Nicola Pellanda, longe do local do protesto, e outra na Rua Miguel Ângelo Pellanda, perto de onde ocorreu a tragédia.

De acordo com a Urbs, a instalação destas três lombadas já estava programada. Só não há data exata para as obras, porque dependem de boas condições climáticas, entre outros requisitos.

A empresa de urbanização ainda explica que a lombada não será instalada onde pedem os moradores, pois o local precisa ter visibilidade do motorista, condições de segurança e não interferir no tráfego de veículos de emergência. Engenheiros da Urbs concluíram que semáforo não é adequado ao local.