A caminhada à beira-mar, no final da tarde do último domingo, acabou de forma trágica para Telma Fontoura, 53 anos. Ela ficou desaparecida até por volta do meio-dia de ontem, quando foi encontrada enterrada em uma cova rasa, nas areias do balneário Shangri-lá, em Pontal do Paraná. Ela tinha sinais de esganadura, mas os familiares não descartam a possibilidade de ela ter sofrido violência sexual, o que não foi confirmado pelo delegado que investiga o caso, que aguarda resultados de exames do Instituto Médico Legal (IML). Telma era filha do ex-secretário de Estado da Saúde Ivan Fontoura e sobrinha do ator Ary Fontoura.

Segundo os familiares, ela estava com a família em uma casa do balneário e por volta de 16h resolveu dar uma volta na praia. Foi sozinha e depois disto não foi mais vista.

Os familiares acharam estranho ela não ter aparecido e iniciaram as buscas na praia e nas casas dos vizinhos. Por volta de 21h, a polícia foi avisada do sumiço e iniciou as buscas junto com a família e outras pessoas da comunidade.

O delegado José Antonio Zuba de Oliva disse que participou ativamente das buscas durante toda a noite de domingo e manhã de ontem, até que o corpo foi achado. “Além dos familiares, da polícia e do Corpo de Bombeiros, a comunidade, em especial os pescadores, ficaram comovidos com o sofrimento da família e ajudaram nas buscas, infelizmente ela foi encontrada morta”, contou o delegado.

Até um avião de pequeno porte, de um conhecido da família, foi utilizado nas buscas, mas de acordo com o delegado, ela estava enterrada num buraco feito na areia, de aproximadamente 10 centímetros de profundidade. “Para ocultar o corpo, o assassino cobriu o buraco com galhos. Já havíamos passado pelo local durante a noite e também de manhã, mas foi numa busca mais detalhada que a encontramos”, completou.

Enquanto os familiares cuidam do sepultamento, o delegado disse que o trabalho da polícia não pode parar. “O nosso trabalho começou quando ela desapareceu e só vai para quando o assassino for identificado e preso. Nossas equipes estão espalhadas por toda a região, colhendo informações que nos levem a quem cometeu o crime”.

Exames complementares

Telma havia saído para caminhar e estava trajando uma calça azul e camiseta branca. Os familiares não descartaram a possibilidade de ela ter sofrido violência sexual, mas o delegado Zuba é mais cauteloso e prefere aguardar o resultado dos exames complementares, que já estão sendo feitos no IML de Paranaguá, para onde o corpo foi levado. “Pela nossa experiência, acreditamos que ela foi morta no final da tarde, início da noite. Esse horário, principalmente no litoral, já está bem escuro, e o local onde o corpo foi encontrado, é bem desabitado”, explicou o delegado.

Telma era divorciada. Era psicóloga, mestra em Psicologia da Infância e Adolescência pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), professora há mais de 27 anos e orientadora de monografias do curso de Especialização em Psicologia Jurídica da Pontifícia Universidade Católica (PUCPR).

A sua última publicação foi lançada recentemente e chama-se Psicologia Jurídica.  Foi escrita em parceria com profissionais da área de Direito e tratava desse ramo da Psicologia, como sendo um campo recém-descoberto pelos psicólogos.