Os acusados de integrar a quadrilha de extermínio que agia na região de Almirante Tamandaré, usavam fardas da Polícia Militar, radioscomunicadores e viaturas, na prática dos crimes. A informação é da delegada Vanessa Alice, responsável pelas investigações da morte de várias mulheres na região. Ela disse que além de usar material de trabalho concedido pelo Estado para efetuar os serviços de policiais militares e civis, eram os próprios acusados que atendiam as ocorrências. “Várias fardas foram apreendidas na casa de pessoas que não pertenciam ao quadro da Polícia Militar”, argumentou a delegada.

Além de ser acusado de assassinar as mulheres e vários homens, o grupo também praticava assaltos, conforme a delegada apurou. Em um assalto por exemplo, os policiais chegavam ao local e após conversar com as vítimas, saíam para o lado oposto dos bandidos. Em alguns casos, os criminosos chegavam a vestir a farda ou jaqueta da PM no momento da fuga.

A polícia já ouviu mais de 50 pessoas desde dezembro último, quando a delegada Vanessa Alice foi designada para apurar os casos. Ela disse que as investigações continuam para apurar os outros casos, já que as 16 pessoas foram denunciadas apenas pelos assassinatos de Maria da Luz Alves dos Santos, Joyce Katolick Devitte e Carlins da Rosa Proença. “Acreditamos que essa quadrilha não executou todas as vítimas. Um exemplo é o caso da Natalina Kapp, onde há fortes indícios de que o crime foi cometido por outras pessoas”, relatou a delegada.

Ela salientou que mesmo nos casos das execuções atribuídas à quadrilha, os autores não eram sempre os mesmos. “Temos provas, mas não são muitas. Não podemos esquecer que a maioria dos envolvidos é de policiais e que as provas foram trabalhadas. Eles conhecem a forma de investigação e sabem como não deixar rastros. Isso se aprende na polícia, mas não para a prática de crime e sim para elucidá-los, frisou Vanessa.