Uma pessoa foi presa e outras dez conduzidas coercitivamente por envolvimento em uma sofisticada organização criminosa suspeita de praticar golpes milionários no país. A “Operação Mercúrio” foi deflagrada nesta quinta-feira (14), para desarticular o grupo, que foi descoberto por causa da venda de um terreno em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba (RMC), avaliado em R$ 600 milhões. As comissões chegariam a R$ 90 milhões, sendo que R$ 1 milhão já teria sido pagos pela vítima.

Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão e dez de condução coercitiva – duas pessoas não foram encontradas. O líder da quadrilha, Wittemberg Magno Ribeiro, de 51 anos,  foi preso no Rio de Janeiro. Ele seria um homem conhecido pela prática de outros diversos golpes milionários, conforme informou a Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) de Curitiba.

Segundo a polícia, a organização criminosa é especializada em fraudes financeiras e, para isso, falsificava páginas de bancos, criava instituições financeiras, operações de investimentos inexistentes, pessoas com cargos fictícios e aluguel de salas comerciais de fachada. O grupo contava com suporte de especialistas em informática para dar veracidade às fraudes.

R$ 900 milhões

O golpe começou após a vítima adquirir um enorme terreno em São José dos Pinhais, na RMC, com área de 6.970.318,95 metros quadrados, equivalente a mil campos de futebol. Oficialmente, o espaço estava avaliado em R$ 600 milhões, mas a quadrilha ofereceu R$ 900 milhões pelo terreno.

De acordo com a polícia, a intenção do empresário era revender o imóvel para terceiros com um projeto de aeroporto de cargas, valorizando assim o negócio. A fraude era bem feita e tinha até funcionários bancários, todos apontados na investigação como personagens fictícios para dar mais veracidade ao golpe.

A operação aconteceu em dez cidades de cinco estados e no Distrito Federal: Rio de Janeiro (RJ), Campo Largo (PR), Palhoça, Mafra, Itapema e Balneário Camboriú (SC), Dourados (MS), Brasília e Taguatinga (DF) e Bom Jesus de Goiás (GO), onde as investigações apontaram que outros dois golpes aconteceram e, somados, ultrapassam R$ 90 milhões.

Todos os envolvidos devem responder por organização criminosa, estelionato, extorsão e falsidade ideológica e documental. Logo após a deflagração da operação, um empresário de Santa Catarina procurou a Polícia Civil do Paraná para denunciar mais uma fraude no valor de U$S 60 mil envolvendo a mesma quadrilha. As investigações continuam até que toda quadrilha seja desarticulada.

Reincidente

Em 2007, Wittemberg Magno Ribeiro foi acusado de chefiar uma quadrilha de estelionatários integrada por seus quatro irmãos Welson, Walmir, Wandembegne e Wilkerson. Segundo a denúncia do Ministério Público, a Organização Criminosa possuía 32 empresas de fachada, com sede no Rio de Janeiro, Paraná, São Paulo e Rio Grande do Norte. De acordo com a polícia, eles também agiram no exterior: duas delas estariam sediadas no Panamá, na América Central.