O Paraná é o Estado que tem mais presos em delegacias. Nem a soma de todos os detidos em cadeias públicas de Roraima, Distrito Federal, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Rio Grande do Norte, Amazonas, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Maranhão, Espírito Santo e Rio de Janeiro chega aos 15.328 presos que aguardam julgamento no Paraná.

O número equivale a 44% da população carcerária do Estado. Em todo o País, são 57.195 presos em delegacias. Os dados fazem parte do relatório final do Seminário Justiça em Números, coordenado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O relatório tomou por base as informações prestadas pelos Estados.

De acordo com o juiz Luciano Losekann, coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF) do CNJ, a situação é alarmante.

“Isso acontece porque os investimentos no sistema penitenciário paranaense não foram suficientes para acolher os presos provisórios”, ressalta. Ele acredita que outro problema em todo o País é a aplicação indiscriminada de prisões provisórias. “Quando percorremos as prisões encontramos pessoas que cometeram delitos mais leves e estão segregadas, ocupando vagas”, afirma. O Estado é o terceiro do país com mais presos (34.580). São Paulo é o primeiro, com 173.060 detidos, seguido de Minas Gerais com 49.137.

País

O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo. São 494.598 presos, abaixo apenas dos Estados Unidos (2.297.400 detidos) e China (1.620.000). Em cinco anos, a população carcerária ganhou mais 133.196 pessoas, ou seja, subiu 36,86%.

Errados

Para o chefe da Divisão Policial do Interior da Polícia Civil e presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol), delegado Luiz Alberto Cartaxo Moura, os números divulgados pelo CNJ não estão corretos.

Segundo o delegado, a massa carcerária nas delegacias seria de 11 mil pessoas, das quais duas mil estão na capital e nove mil no interior. “Discordo dos números apresentados pelo CNJ, ainda que reconheça que é um número alto. O grande problema é que estão delegando uma função que não pertence à Polícia Civil. Estamos aguardando algumas decisões para equacionar esta questão e diminuir o número de presos em delegacias”, comenta.