Depois de dois dias de julgamento, Jair Correia, Ademar Fernando Luiz e Fabiano Alves de Andrade foram considerados culpados pela morte de 15 pessoas e pela tentativa de homicídio contra as oito que ficaram feridas, na Chacina de Guaíra, em setembro de 2008. Cada um deles foi condenado a 348 anos de prisão em regime fechado.

A sessão aconteceu no Fórum do município que ficou lotado no final da tarde de ontem. A sentença foi decretada pelo juiz Wendel Fernando Brunieri, por volta das 16h.

Os advogados de defesa tentaram, durante o julgamento, reduzir a pena, individualizando a conduta dos réus, sob alegação de que teriam agido por injusta provocação das vítimas.

Todas as teses foram derrubadas por provas apresentadas pelo Ministério Público, representado pelo promotor de Justiça Marcos Cristiano Andrade. A defesa afirmou que recorrerá da sentença.

O promotor disse que o crime foi singular, uma condenação exemplar, à altura da barbaridade cometida. “É uma resposta do Ministério Público e da população à criminalidade. A chacina foi uma mancha na história do Paraná e a condenação dos réus vem minimizar essa mácula”, disse.

O crime

A chacina de Guaíra foi a maior registrada no Estado. Além dos 15 mortos, entre eles uma mulher e uma adolescente, oito pessoas ficaram feridas e só escaparam porque se fingiram de mortas.

Os três condenados confessaram o crime e deram detalhes, dizendo que a matança aconteceu durante cinco horas e foi cometida em vingança à morte de Dirceu de Souza Pereira, enteado de Jair.

Durante as explicações, o promotor disse que Dirceu havia sido morto por ter desviado uma carga de maconha comprada por Jossimar Marques Soares, o “Polaco”, dono da propriedade onde o crime aconteceu.

Para vingar o enteado, Jair contratou Ademar e Fabiano e o objetivo era matar Polaco e os três homens que haviam cometido o crime. No entanto, quem chegava à chácara, no período em que o trio estava lá, era executado. Os três homens vão continuar detidos no Centro de Detenção e Ressocialização de Cascavel, também no oeste do Paraná.