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Realismo perigoso: criminoso
tinha uma faca e a irmã da vítima
fez o papel da morta.

O realismo da reconstituição do duplo homicídio, feita na tarde de ontem, em Colombo, parece ter beirado à imprudência. Com uma faca nas mãos, e algemado apenas nos pés, Jairton Cardoso, 32 anos, simulou como assassinou a babá Josiane Taborda de Oliveira, 14, e Vinicius Félix Nascimento, 5, no último dia 19.

Um garotinho de 9 anos, morador da região, e a própria irmã de Josiane, Juliana Taborda Oliveira, 15, participaram da reconstituição, passando-se pelas vítimas. Segundo Silvano de Oliveira, pai da babá, Juliana ficou muito assustada no momento que Jairton mostrou como matou sua irmã, uma vez que teria pressionado seu pescoço com certa força.

A simulação aconteceu no interior da casa vazia, na Rua Maria Teresa Graboski, Jardim Guarujá. Durante cerca de 40 minutos, Jairton ficou trancado na residência com policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), psicólogas e peritos. Durante a reconstituição, o acusado mostrou como matou as duas crianças, afirmando ter utilizado uma faca e um revólver. Para mostrar como tudo aconteceu, a polícia forneceu a ele uma arma descarregada uma faca de verdade, o que pareceu ser bastante imprudente por se tratar de uma pessoa abalada psicologicamente e envolver outras duas crianças na ação.

Segundo Jairton, ele bolinou a garota e, em seguida, a esganou, atirou em seu peito e a esfaqueou. No momento em que mostrou como fez isso, Juliana se assustou ao sentir a pressão das mãos do acusado em seu pescoço e ver a faca bem próxima de seu corpo. Em seguida, Jairton simulou como amordaçou o menino, com uma camiseta, e o deitou de bruços, momento que lhe desferiu um tiro na nuca. Depois de mortos, os dois corpos foram arrastados por Jairton da sala para o quarto, onde o acusado jogou roupas e colchões na tentativa de escondê-los. "Pela riqueza de detalhes, não há mais duvidas de que foi ele quem assassinou as duas crianças" afirmou o delegado do Cope, Messias Antônio Rosa.

Durante a ação, Jairton afirmou ter usado o revólver para matar os dois, fatos que até então, não havia sido comentados pela polícia. "Nos laudos do IML consta que a babá também morreu com tiro", garante Messias. O próximo passo da polícia será encontrar o cabo da faca e o revólver usado por Jairton, que ele garante ter colocado em uma sacola e jogado num matagal próximo dali.

Revolta e tumulto marcaram o ato

A reconstuição agitou a cidade de Colombo. No início da tarde, moradores da região e parentes das vítimas se reuniram em frente à casa onde ocorreram os crimes. Por volta das 14h30, três viaturas do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) chegaram no local, junto com peritos criminais e psicólogas. Porém, foi no momento que Jairton foi retirado do camburão, que o clima ficou realmente tenso. Usando um colete à prova de balas, ele começou a simulação do lado de fora da casa, mostrando como entrou no local. Enquanto isso acontecia populares não hesitavam em lhe xingar.

A raiva também tomou conta dos familiares da vítimas. Vicente Felix, tio de Vinícius, teve que ser segurado, pela esposa Rosiane Félix e por vizinhos, no momento que Jairton chegou. Com o fim da simulação, quando o acusado deixou a casa, a revolta foi ainda maior. A mãe da babá, Erenice Taborda chorou de forma compulsiva, clamando por Justiça. O outro tio de Vinícius também perdeu o controle e tentou avançar em Jairton, mas foi dominado pelos policiais. Apesar do estado nervoso do acusado, os policiais garantiram que ele manteve bastante calma e frieza na hora de demonstrar como cometeu o bárbaro crime.

Boa saúde mental, atestam exames

Antes da reconstituição, Jairton Cardoso, 32 anos, passou por uma bateria de testes, conduzidos por psicólogos e psiquiatras do IML. Durante toda a manhã de ontem, o acusado foi avaliado quanto à sua sanidade mental e o resultado não surpreendeu a polícia. De acordo com os profissionais, Jairton é uma pessoa normal e cometeu os crimes com consciência plena dos atos. Mediante este resultado ele deverá ser julgado como os demais criminosos, sendo levado ao banco dos réus. Caso fosse provado o contrário, o juiz deveria tomar uma medida de segurança, internando-o em um manicômio judiciário. O acusado vai permanecer isolado, em uma das celas do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), até que o juiz da comarca de Colombo decida para que unidade do sistema penitenciário ele será transferido.