O delegado Fábio Amaro, da Delegacia de Homicídios, explica que o local de crime conta muitas coisas. Dá como exemplo o triplo homicídio no Tatuquara, na noite de quarta-feira. Como o local foi isolado e bem estudado pela perícia, concluiu-se que os assassinos foram pessoas do relacionamento das vítimas e os dois autores foram identificados.

Em outra investigação, como o local de crime foi bem isolado e impediu a circulação de pessoas, foi possível provar as marcas de carro deixadas no local em que um corpo foi achado eram do automóvel do suspeito, que foi preso com provas materiais.

Amaro explica que, as testemunhas, muitas vezes prestam depoimentos “contaminados” por diversos motivos: são do relacionamento das vítimas ou autores ou estão com medo. Por isto, não são provas confiáveis. É no local de crime que se colhem as provas materiais, que são irrefutáveis.

Rachel

Mas o delegado também exemplificou outros casos que ficaram com a elucidação prejudicada, por conta da má conduta de agentes de segurança e curiosos. Ele comentou o caso da menina Rachel Genofre, encontrada morta numa mala na rodoferroviária. “Várias pessoas manusearam o corpo, a mala, a sacola plástica que ela tinha na cabeça, os cadeados da mala. Se havia algum tipo de impressão digital ali ou algum outro resquício biológico que levasse ao autor, as provas foram totalmente contaminadas. O amadorismo ainda é muito grande no local de crime”, lamentou.

Perícia

A perita criminal Joice Malakoski, do Instituto de Criminalística, acredita que, apesar dos grandes problemas enfrentados por peritos, devido ao mau isolamento de local de crime, a Polícia Militar tem melhorado neste trabalho. Mesmo assim, os crimes ocorridos em via pública, ainda deixam o isolamento a desejar, o que dificulta a interpretação dos fatos. “Creio que falta pessoal suficiente, para que a equipe policial chegue mais rápido e isole a área o quanto antes. Até lá, curiosos já pisotearam por tudo”.

Quando um crime ocorre dentro de casa, familiares, desesperados, mexem na posição de corpos e objetos. “É a falta de cultura da população sobre preservar o local. As pessoas subestimam as provas que podem ser encontradas”, lamentou Joice.

Atropelamento

Outro caso clássico citado por Joice é o atropelamento. Ela diz que, muitas vezes, as pessoas recolhem a bolsa da vítima atropelada e a colocam debaixo da cabeça, achando que vão confortar a pessoa ferida. “Mas muitos não sabem que o local onde a bolsa ou objetos da vítima estão é o provável ponto onde ela foi atropelada. Atrapalha a interpretação do local”, alertou a perita.