João de Noronha
Miriam queria criar o bebê.

Cerca de dez horas depois de ter sido seqüestrado em Tunas do Paraná, um bebê de quatro meses foi devolvido aos braços dos pais, no início da noite de ontem. A seqüestradora, Miriam dos Santos Paiva, 18 anos, foi encontrada com o pequeno Gabriel Gonçalves de Melo, 4 meses, por policiais do 17.º Batalhão de Polícia Militar, na casa da irmã dela, em Campina Grande do Sul. Ela alegou que pretendia criar a criança, porque estava cansada de vê-la sofrer nos braços da mãe.

De acordo com o escrivão da delegacia de Campina Grande do Sul, Ney Prosdócimo, Miriam e o marido, que é primo do pai do bebê, estavam morando no mesmo terreno há dois meses. Enquanto os homens saíam para trabalhar ela ficava em casa com a mulher e o filho dela. Por volta das 10h da manhã de ontem, a mãe de Gabriel saiu de casa por alguns instantes e Miriam aproveitou para apanhar a certidão de nascimento do bebê e ir com ele até o posto de saúde de Tunas do Paraná. Lá ela disse que era mãe da criança e que precisava levá-lo para fazer alguns exames em Campina Grande do Sul. Mobilizados, assistentes sociais a conduziram, no carro da Prefeitura, até a casa da irmã dela, no município vizinho.

Quando voltou para casa, a mãe acreditou que Mirim tinha ido passear com a criança como costumava fazer. Ao notar a demora, no começo da tarde ela avisou os policiais militares. O marido da seqüestradora forneceu alguns endereços onde ela poderia estar e, no começo da noite ela foi encontrada na casa da irmã. "Eu iria criá-lo porque ele vivia sempre sujo e assado", justificou Miriam.

De acordo com o escrivão, ela assinou um termo circunstanciado por subtração de incapaz. "Miriam foi interrogada e liberada, mas a audiência com o juiz foi marcada para o próximo dia 29", contou.

O bebê foi entregue aos pais por membros do Conselho Tutelar do município.