Leonyl Ribeiro.

O presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol), Luiz Bordenowski, enviou ofício ao governador Jaime Lerner solicitando o afastamento imediato do delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, para que a Corregedoria da Polícia Civil possa investigar, sem influências, as denúncias de suposto envolvimento de Ribeiro com o quadrilheiro Mário do Amaral Fogassa.

Bordenowski argumenta que, permanecendo no cargo que ocupa, Ribeiro prejudica as investigações da Corregedoria-geral, pois exerceria hierarquia sobre o delegado-corregedor Adauto Abreu de Oliveira. “As denúncias prejudicam a institutição e o próprio governo, causando perda de credibilidade perante a sociedade”, afirma o sindicalista.

Denúncia

Fogassa, que está foragido, é apontado pelo Ministério Público como líder de uma quadrilha responsável pelo roubo e desvio de cargas no interior do Estado, em São Paulo e em Santa Catarina. Instalada em Campo do Tenente, a gangue também é acusada do assassinato de um vereador do município. E foi justamente o homicídio que levou o Ministério Público a iniciar investigações que resultaram na decretação de prisões preventivas de 21 pessoas, todas acusadas de envolvimento com Fogassa.

Dentre os presos estão o ex-delegado da Estelionato e Desvio de Cargas, Armando Marques Garcia; o superintendente da especializada, Helcio Piasseta; a delegada-adjunta Margareth Motta; um oficial da Polícia Militar e outras 11 pessoas. Os nomes dos envolvidos foram obtidos através de gravações telefônicas autorizadas pela Justiça. Nestas gravações aparecem também conversas entre Fogassa e o delegado-geral.

O quadrilheiro teria pedido a Ribeiro para que ele “aliviasse” o inquérito que corria pela Estelionato, por roubo de carga e também denunciava que os delegados da especializada haviam lhe extorquido em R$ 50 mil. Até o nome do secretário da Segurança Pública, José Tavares, apareceu nas gravações. Tanto Tavares quanto Ribeiro negaram ter promovido qualquer facilidade a Fogassa.

Investigação

Mesmo com as negativas, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil iniciou uma investigação preliminar, para apurar todos os fatos. De acordo com o corregedor-geral, Adauto Oliveira, o delegado-geral não exerce nenhuma influência sobre ele, já que o corregedor tem atribuições independentes das determinações do delegado-geral. “Isso está determinado na Lei 89/2001”, explicou Oliveira.

Mesmo ressaltando que não recebe influências do Departamento da Polícia Civil, o corregedor se manifestou favorável à atitude do presidente do Sinclapol, dizendo que “é válida a preocupação”, mas alerta que até agora Ribeiro tem demonstrado grande interesse em esclarecer toda a situação, sem interferir em nada.

Especial

Por outro lado, quem está realizando a investigação preliminar é o delegado Paulo Ernesto Cunha, diretor do Instituto de Identificação, ex-delegado geral e ex-corregedor. “Ele foi designado em caráter especial para conduzir este ato justamente pela sua idoneidade e pelos cargos que já exerceu”, afirmou Oliveira.

Ainda não há data prevista para o encerramento da investigação. Caso ela confirme as denúncias, poderá ser instaurada uma sindicância ou um processo disciplinar. A primeira prevê pena de suspensão e a segunda pode culminar em um processo de demissão. E se nada for confirmado, a investigação é arquivada.