Smoralek: defesa em causa própria.

Mais uma vez o professor Aristóteles Kochinski Smolarek Júnior, 28 anos, acusado de matar a própria mulher no Chile, tentou enganar a Justiça. Com a ajuda da mãe, Lecy Smolarek, 56, e de Diovani Roberto Losso, ele falsificou documentos públicos; as assinaturas de uma escrivã e de um juiz; o endereço, telefone e nome de um advogado, e ainda impetrou um falso habeas corpus em seu favor, no Tribunal de Justiça. A fraude por pouco não deu certo. O Tribunal de Justiça concedeu a liberdade, mas quando o documento chegou na Vara de Execuções Penais para ser cumprido, no dia 31 de janeiro, os funcionários desconfiaram e apuraram a falsificação. Smolarek e seus ajudantes foram descobertos e tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz Marcelo Ferreira, da Central de Inquéritos.

Está já é a segunda vez que Smolarek tenta enganar a Justiça. Em um habeas corpus concedido no ano passado em seu favor, ele tentou induzir o juiz a erro, alegando que a decisão referia-se ao processo de homicídio, que vitimou Luciene Ribeiro de Paula, 18, no Chile. De acordo com funcionários da Justiça, quando Smolarek não falsifica documentos, ele coloca informações diversas para confundir o juiz.

Habeas corpus

Smolarek impetrou o habeas corpus com base em documentos falsos no Tribunal de Justiça. Para isto ele utilizou cópia do inquérito em que sua mãe, Leci, e a avó, Maria Brasílio, 78 anos, figuravam como rés, e apurava o seqüestro da filha de Luciene Ribeiro de Paula. Luciene foi assassinada com golpes de taco de beisebol, em Santiago do Chile, em agosto de 1998 e Smolarek é acusado do crime.

De acordo com as informações apuradas pela Justiça e por policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), para a fraude Smolarek retirou o nome de uma das acusadas e colocou o seu no lugar. Ele ainda mandou confeccionar um carimbo com o nome de uma escrivã da Central de Inquéritos e falsificou a assinatura da mulher e do juiz. Foram mais de 300 folhas para provar a sua “inocência”. Para dar maior veracidade aos documentos falsos, ele ainda apanhou o modelo de petições do advogado Dálio Zippin Filho, que é assistente de acusação no caso do assassinato de Luciene, e colocou como advogado Lincon Macedo Silveira, cujo número da Ordem dos Advogados é do Ceará. De acordo com as investigações, o advogado existe com o sobrenome inverso, mas não foi comprovado que tenha participado da fraude.

Para completar a falsificação, Smolarek colocou o mesmo endereço do escritório do advogado Dálio Zippin Filho, com algumas alterações. Os números de telefone de Zippin também foram utilizados, mas o espertalhão inverteu alguns algarismos.

Prisões

Smolarek, que está recolhido na Prisão Provisória de Curitiba, no Ahú, por homicídio, agora responde outro processo por falsificação, que lhe rendeu mais uma prisão preventiva decretada. A mãe dele, Leci Smolarek, e Diovani Roberto Losso tiveram suas prisões cumpridas na semana retrasada.

Espertalhão pode ter feito outros habeas corpus

Cerca de 100 cartas de presos que cumprem pena no sistema penitenciário foram apreendidas em poder de Leci Smolarek, mãe de Aristóteles Kochinski Smolarek Júnior. Nas cartas são pedidos habeas corpus para os detentos.

A Justiça desconfia que Smolarek estava montando falsos habeas corpus usando documentos falsos, assim como nome de advogado e assinaturas de escrivães e juizes. Ainda está sendo investigado se algum habeas corpus falso foi concedido pelo Tribunal de Justiça ou pelo Tribunal de Alçada.

A Justiça apura ainda se há participação de advogado na falsificação, já que é utilizado o número da Ordem dos Advogados do Brasil de um profissional do Ceará. De acordo com levantamentos realizados pela Central de Inquéritos de Curitiba, um advogado chamado Lincon Silveira Macedo já defendeu Smolarek em um processo de falsificação de documento e fraude. Além do crime de homicídio pelo qual é acusado, Smoraleck também responde por fraude. Ele locava carros no Brasil para vendê-los no Paraguai.

Julgamento por homicídio sai semana que vem

No próximo dia 31, às 9h, o professor Aristóteles Kochinski Smolarek Júnior, 28 anos, deverá sentar no banco dos réus, no Tribunal do Júri. Ele é acusado de matar sua esposa Luciene Ribeiro de Paula, 18 anos, no dia 4 de agosto de 1998, em Santiago do Chile. O motivo seria um seguro de 250 mil dólares, o qual o professor e a filha da vítima (fruto de um relacionamento com outro homem) seriam beneficiários. Além de homicídio triplamente qualificado, Smolarek é acusado de ocultação de cadáver, aborto e estelionato. A guarda da filha da vítima foi concedida ao pai biológico e a família de Smoraleck escondeu a criança, caracterizando crime de seqüestro, o que rendeu uma prisão para a avó do acusado, já que era ela quem estava com a menina.