Pelo menos 10 pessoas já compareceram à Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas (DEDC) alegando ter sido vítima da taróloga e médium Danielle Gaich Nicolitz, a “Dani”, 33 anos, presa anteontem num sobrado no Batel. A polícia estima que ela tenha lesado clientes em meio milhão de reais. Além dela, foram presos o marido, Carlos Eduardo Yovanovich Júnior, 30, e Dorival Braz Simões, presidente do Conselho Mediúnico do Brasil-Federação Paranaense de Umbanda e Candomblé (Cebras), à qual Danielle era filiada. Permanecem foragidos a sogra de Danielle (e não mãe, como foi divulgado ontem), Cleyde Mara Yovanovich, a “Mãe Fabiane”, e o sogro Carlos Eduardo Yovanovich.

Todos têm mandado de prisão temporária por estelionato e formação de quadrilha. Segundo o delegado Mateus Laiola, Cleyde já foi investigada em Toledo, em 2009, por aplicar o “golpe da benzedeira”. Vários e-mails também foram recebidos pela polícia de pessoas dizendo que foram lesadas pela cartomante. “Muita gente tem vergonha. Por isso acredito que existam mais vítimas”, disse o delegado. A polícia também descobriu que o sobrado estava registrado como empresa de transporte rodoviário.

Professoras

Entre as vítimas estão duas professoras, de 49 e 32 anos. Uma delas disse que foi até o consultório de Dani, na Rua Gonçalves Dias, em julho e pagou R$ 14 mil pelos serviços. Ela registrou ontem boletim de ocorrência, mas não tem muita esperança em reaver a quantia. “Ela me dizia que se devolvesse o dinheiro, podia me causar algum mal”, disse. A outra professora, que está grávida, procurou a cartomante, indicada por uma prima, e queria trazer o ex-marido de volta. Para isso, teria que pagar R$ 5 mil. “Para começar tinha que dar R$ 2 mil. No desespero a gente paga. Pedi emprestado o dinheiro”, conta.

“Ela usava vinho, algodão e um pedaço de mamão e tirou uma pomba de dentro do algodão. Dizia que eu tinha 14 exus em cima de mim”, disse. Em relação ao pagamento, a “entidade” incorporada por Dani perguntou à professora: “Você tem uma coisa branca e pode vender”. A ‘coisa branca’ era o carro, que por pouco não foi vendido. Segundo a professora, a mandinga não deu certo. “Mexer com essas coisas só traz complicações”, concluiu.

Certezas

Para Mateus não restam dúvidas que se trata de estelionato e que a família de Dani dava suporte logístico ao golpe. “Ela induziu a vítima em erro, lesando-a financeiramente, utilizando o desespero emocional para tomar dinheiro dela”, afirma Mateus.

Durante as investigações, a polícia apreendeu nove veículos, alguns registrados em nome do marido de Dani, como um Camaro e uma Hilux. Os carros são avaliados em R$ 500 mil. Conforme o delegado-titular da DEDC, Marcelo Lemos de Oliveira, outras diligências serão feitas para saber como era feita a lavagem de dinheiro obtido através do golpe e tentar ressarcir as vítimas. “Trata-se do estelionato na forma mais escancarada. Agora vamos pedir quebra dos sigilos bancários e fiscais, sendo que todos os veículos dos membros da quadrilha já estão bloqueados”, disse o delegado. “Existem ainda sete boletins de ocorrência por roubo àquela residência”.