Alete com as fotografias do filho: esperança.

Já são onze anos, completados ontem, sem que a família tenha qualquer pista concreta de Guilherme Caramês Tiburtius. Com objetivo de reforçar às esperanças em reencontrar o menino, que desapareceu no Jardim Social em 17 de junho de 1991, o Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) divulgou a projeção da fisionomia de Guilherme com a atual idade, de 19 anos.

O processo de envelhecimento digital, elaborado pelo arquiteto Roberval Coutinho, foi aplicado pela primeira vez em 1995. Na ocasião, as feições de Guilherme foram projetadas para a idade de 12 anos (ele tinha oito quando foi visto pela última vez), e as de Ewerton de Lima Gonçalves, com onze (sumiu aos quatro). Nessa segunda etapa, a intenção do Sicride é expandir o processo para as outras doze crianças de 0 a 12 anos que permanecem desaparecidas no Estado. “Para isso, precisamos do interesse da família”, disse o delegado-chefe do Sicride, Harry Herbert. A mãe de Guilherme, Arlete Caramês, mantém a convicção de encontrá-lo vivo. “Certamente, ele foi raptado. Uma possibilidade é que esteja vivendo no exterior, já acostumado com outra família”, acredita.

A boa notícia é que o índice de crianças desaparecidas está diminuindo drasticamente. Em 1996, um ano depois da criação do Sicride, familiares prestaram queixas dos sumiços de 155 crianças. Em 2002, até agora, foram apenas 22 casos. Todos solucionados.

As novas imagens digitalizadas de Guilherme serão levadas para todo o Brasil, através do Ministério da Justiça, e a outros países com o auxílio da Interpol.

Milhares de fotos para atualização

Imagens dos rostos de 10 mil brasileiros compõem o acervo usado pelo arquiteto Roberval Coutinho no processo de envelhecimento computadorizado de crianças desaparecidas. Das fotografias ele extrai os mais diversos formatos da face, olhos, boca, nariz, orelhas, cabelos e demais detalhes, para então montar a provável fisionomia da pessoa em idade mais avançada.

Para isso, Roberval utiliza-se de fotografias de parentes da criança, preferencialmente os pais em idade próxima à que pretende projetar. “Comparando com os pais, irmãos, avós, escolho o formato que mais se assemelha”, disse Roberval, que entrou para a polícia na função de datiloscopista. Grande parte das fotos é retirada do arquivo do Instituto de Identificação. Apenas a imagem da pessoa é “emprestada”, desconsiderando-se a identidade. “O FBI (polícia federal dos Estados Unidos) também utiliza a técnica. Mas eles se baseiam no tipo físico de lá, diferente do nosso”, afirma o perito.

Às vezes, porém, os parentes não dispõem de acervo fotográfico suficiente para produzir uma atualização satisfatória. “Nesses casos, esperamos até mesmo a família ter outros filhos para montar uma nova imagem”, conta Roberval. (CS)