Valquir Aureliano
Edson levava a sobrinha
e o filho para casa.

A garotinha Nicole Escorequi dos Santos, de apenas 6 anos, e o tio dela, Edson Pedroso da Silva, 48, foram executados por volta das 14h30 de ontem, quando trafegavam de motocicleta pela Rua Marco Polo, esquina com a Rua Ada Macaggi, no Bairro Alto. Por pouco, o filho de Edson, um garotinho de 8 anos, que estava na garupa da CG-125 placa AEF-7729, não foi atingido pelos disparos. O autor do bárbaro assassinato também ocupava uma motocicleta CG-125, vermelha, e conseguiu escapar sem ser identificado.

A mulher de Edson, Jacira Bueno dos Santos, contou que trabalhava junto com o marido como guardadora de carros, nas proximidades do Detran, durante todas as manhãs. Ela disse que, ontem, o casal levou o filho ao trabalho, porque o menino não tinha aula. Por volta das 14h, eles saíram com a motocicleta, passaram na escola de Nicole e a apanharam. Como havia muita gente na motocicleta e o casal ainda carregava sacolas de lixo reciclável e pertences das crianças, Jacira desembarcou e Edson seguiu para casa com o filho e a sobrinha. "Ele ia deixar as crianças e voltar para me buscar", relatou a mulher.

Tiros

Quando estava a menos de cem metros de sua residência, um motoqueiro, que o seguia, sacou uma arma e atirou por várias vezes. Um dos tiros acertou o pescoço de Nicole, que estava de capacete, e outro, a testa de Edson. A motocicleta que trafegava em baixa velocidade tombou, derrubando o homem e as duas crianças. Por sorte, o garotinho só machucou o joelho com a queda. Quando o Siate chegou no local, Edson já estava sem vida. A garotinha ainda agonizava e foi socorrida, mas morreu dentro da ambulância a caminho do Hospital Cajuru.

Apavorado, o garoto de 8 anos correu ao encontro da mãe e contou que um motoqueiro havia atirado no pai e na prima, que estavam caídos e havia muito sangue. "Coitadinha. O aniversário da Nicole foi domingo. Uma festa tão bonita e agora ela está ai", comentou Jacira. A mulher disse que os pais de Nicole trabalham. "De manhã ela ia para a escola. À tarde eu e o meu marido cuidávamos dela. Por que fazer isso com a criança?", indagou, ainda em estado de choque.

Casada há 16 anos com Edson, com quem tem três filhos, Jacira disse que o marido já teve passagens pela polícia, mas não soube informar por quais motivos. "Isso foi há muito tempo. Nós trabalhávamos, ele não tinha inimigos e não estava sendo ameaçado de morte", garantiu Jacira.

Policiais da Delegacia de Homicídios estiveram no local e deverão investigar o caso.