Duas pessoas morreram no incêndio da casa-lar, em frente à delegacia de Almirante Tamandaré, por volta das 18h de ontem. Uma menina, de um ano de idade, foi carbonizada, e a mãe-social, de aproximadamente 45 anos, que não teve o nome divulgado, morreu por ter inalado muita fumaça e ar quente.

Depois de ajudar no resgate das crianças, ela não se sentiu bem e foi levada pelos socorristas às pressas ao hospital, mas morreu sem seguida. Um policial também teve que ser socorrido, mas não corre risco de morte.

Segundo testemunhas, um menino chutou uma bola, que quebrou uma lâmpada e provocou um curto-circuito. Rapidamente, as chamas se espalharam pela casa de alvenaria, com forro de madeira.

Na hora do acidente, estavam na casa, além das duas vítimas, três funcionárias e 15 crianças. Todas foram levadas para uma residência ao lado do abrigo, sem ferimentos.

Resgate

Os primeiros a chegar ao local foram os soldados Pepler e Esperança, do 17.º Batalhão da Polícia Militar. “Vimos fumaça na direção da delegacia. Suspeitamos que fosse uma rebelião. Quando chegamos, vimos que o fogo era na casa e fizemos de tudo para salvar todas as pessoas que estavam no local”, contou Esperança.

Os policiais militares descobriram que ainda havia uma criança, em um dos quartos tomado pelo fogo, e tentaram resgatá-la juntamente com um policial civil, mas parte do teto desabou. O fogo foi contido e a criança encontrada morta, fora do berço. O policial civil foi atendido pelo Siate e levado ao Hospital Evangélico, onde ficou em observação.

Vizinhos

A manicure Ingrid Reis Gonçalves, que trabalha perto da casa-lar, disse que estava se preparando para deixar o trabalho. “Quando olhei na rua já estava uma correria. Muitos homens tentando salvar as crianças. Mesmo eu não tendo filhos, sofri como se essa menina fosse minha”, afirmou, com os olhos cheios de lágrimas.

Uma mulher, que não quis se identificar, analisou que as crianças da casa-lar viviam em situações de risco e foram tiradas das famílias pelo Conselho Tutelar. “Em apenas um ano já foi tirada da casa dos pais e, agora, morre desse jeito”, lamentou. A calçada, em frente à casa queimada ficou tomada de brinquedos, roupas e alguns móveis que vizinhos conseguiram salvar.

Destino incerto para os internos

Até o final da noite a juíza Inês Zarpelon, da Vara da Infância e Juventude, não havia definido o destino dos internos. A casa-lar mantida pela prefeitura de Almirante Tamandaré, estava instalada em uma uma construção antiga de aproximadamente 150 metros quadrados há quase dois anos.

De acordo com prefeito Wilson Goinski, que acompanhou o trabalho de rescaldo do incêndio, já estava prevista mudança para os próximos dias. “Construímos uma casa-lar com 400 metros quadrados que tinha previsão de inauguração para o fim de agosto. Ela já está em fase de conclusão, falta apenas o mobiliário. Infelizmente, essa é a parte mais burocrática, pois precisa passar por licitação. De qualquer forma, vamos acatar a decisão da juíza e fazer o que ela determinar, principalmente para acomodar estas crianças o mais rápido possível”, afirmou o prefeito.