A promessa de esvaziar as carceragens dos distritos policiais de Curitiba, feita pelas secretarias de Segurança e Justiça e pela Vara de Execuções Penais, está sendo difícil de cumprir. Três semanas depois dos presos do 1º Distrito Policial (DP), no Centro, serem todos transferidos, o local voltou a ficar cheio. Ontem, abrigava 13 detentos e, segundo o delegado Rubens Recalcatti, o espaço não ficou nem dois dias vazio.

A intenção do esvaziamento das carceragens é liberar os policiais civis, que assumiram também a função de cuidar dos presos, para investigar crimes. De acordo com Recalcatti, um dia após os presos serem transferidos ao sistema penitenciário, os policiais fizeram uma prisão em flagrante, de dois assaltantes de farmácia no centro.

Prazo

A informação da Secretaria de Justiça é de que o tempo máximo que os presos devem passar na delegacia é de 7 a 10 dias, para apuração inicial e comunicado à Justiça. Mas, para Recalcatti, o fato dos presos permanecerem ali segue dificultando o trabalho dos policiais. Ele diz ainda que, além da situação ser similar em outros distritos, presos de outras delegacias estão sendo encaminhados para o 1º DP. No 3º DP, nas Mercês, esvaziado junto com o 1º DP no último dia 07, hoje estão oito presos (chamados “especiais”, por ter ensino superior); no 5º DP, no Bacacheri, estão 11 detentos; e no 8º DP, no Portão, estão 29. Já no 11º DP, na CIC, onde hoje funciona o Centro de Triagem, estão 163 presos.

De acordo com o delegado Luiz Alberto Cartaxo Moura, representante da Polícia Civil no Comitê de Transferência, o sistema penitenciário não está conseguindo absorver os presos, para manter os distritos vazios. Hoje será realizada uma reunião do comitê para decidir sobre a transferência das pessoas detidas no final de semana para o Centro de Triagem. Ainda segundo ele, não há uma previsão de quando as carceragens devem ser definitivamente desativadas. “Temos que trabalhar com as vagas existentes no sistema”, esclarece. A meta do comitê é a transferência semanal de 80 presos de Curitiba e região metropolitana para o sistema penitenciário. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju), essa intenção não apenas está sendo cumprida, mas superada. De 18 de fevereiro a 27 de março foram transferidos 977 presos.