Os seis bairros com Unidades Paraná Seguro tiveram 34% menos homicídios em 2015 que no ano anterior. Sem contar esses bairros (Cidade Industrial, Cajuru, Tatuquara, Uberaba, Parolin e Sítio Cercado) beneficiados com o programa, a capital registrou em 2015 uma queda de apenas 10% dos assassinatos em relação a 2014. Esse dado mostra que as unidades podem ser importantes pra queda de homicídios e indica necessidade de avançar o programa. Mas o problema é que ações recentes do governo estadual demonstram que o programa perdeu força política ao longo da passagem de quatro secretários da Segurança Pública. Há dois anos e meio, o governo estadual não expande as unidades. A última no estado foi instalada em São José dos Pinhais em junho de 2013. Além disso, próximo de registrar o aniversário de três anos da primeira UPS, a do Uberaba, três bairros já não possuem mais o posto fixo do programa: Cajuru, Tatuquara e Parolin.

Como as unidades foram inauguradas no segundo ano do governo Beto Richa, foi o primeiro secretário da Segurança Pública, Reinaldo de Almeida César, o principal entusiasta. Nos anos seguintes, o trabalho perdeu força, mas trouxe um componente importante pra tentar evoluir.

Cooperação

Em 2013, o então secretário Cid Vasques assinou um termo de cooperação técnica com a Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania e o prefeitura de Curitiba. Em abril do ano passado, o então secretário da Segurança Pública e Administração Penitenciária, deputado federal Fernando Francischini, alertava pra estagnação do programa. “Temos que reconhecer que faltou liderança de interligação com as demais secretarias”, disse na época. O termo prometia levar, além de mais segurança, bem-estar e ações sociais pras comunidades consideradas com maiores índices de violência.

População critica o programa

Nas doze Unidades Paraná Seguro de Curitiba e Região Metropolitana (cinco delas na CIC), a percepção de que o programa estagnou é da própria população. Alguns moradores ouvidos pela reportagem acreditam que é preciso oxigenar o projeto. Na região da unidade na Vila Zumbi, em Colombo, apesar da queda de 20% dos homicídios na cidade, a necessidade de avanço não é segredo pra ninguém. “Teve tiroteio aí na região no mês passado e a polícia nem apareceu na hora. Eles só andam de viatura pra passear”, indigna-se uma moradora. Outro cidadão que reside na localidade afirma que “no começo, as patrulhas eram intensas, agora é raro ver policial passando por aqui”.

Sem módulo

As vilas Trindade, no Cajuru, e Ludovica, no Tatuquara, viram do dia para noite os módulos da UPS sumirem sem dar nenhum aviso prévio aos moradores. Se, em 2012, 154 policiais participaram das ações no Ludovica, por exemplo, hoje é difícil ver uma viatura nas redondezas. ‘Eles saíram do dia para noite. Quando eles estavam aí tinha mais segurança, agora sentimos que piorou. As bocas de fumo voltaram e há mais assaltos’, diz um morador. Na Vila Trindade a alegação dos moradores é de que a UPS se uniu ao do Uberaba. “O que adianta unir aqui com o Uberaba. É muito longe. Isso é impossível”, afirma um comerciante. Todos os moradores aceitaram falar, mas sem ter o nome divulgado. Pra outra moradora, o programa desde o início falhou. “Vieram prometendo um monte e nem segurança, que era o carro-chefe, cumpriram”, enfatiza.

Falta de planejamento

O princípio básico das UPSs é manter a polícia presente, prendendo suspeitos e, em seguida, atacar problemas sociais e urbanos. A falta de diálogo entre a prefeitura de Curitiba e o governo do Paraná são os principais obstáculos pras comunidades atendidas pelo programa. Em 2013, prefeitura ,e governo assinaram termo de cooperação nas regiões das UPSs. Planejamento e coordenação ficaram com o estado. Porém, a administração do município revelou que até agora o governo estadual não enviou o plano pra orientar ações as regiões da UPS. A assessoria de imprensa do governador Beto Richa informou que não compreendeu o motivo da acusação da prefeitura, já que manteria constante integração nas áreas de UPS com o município. A Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp) informou que o programa continuará funcionando e as unidades que ainda possuem contêineres como posto fixo deve receber um imóvel pré-fabricado. Para o delegado-chefe da DHPP, Miguel Stadler, o trabalho de investigação feito no último ano pela unidade também é responsável por grande parcela da queda dos homicídios.