O rapaz foi obrigado a ajoelhar-se
para receber o tiro na cabeça.

Um jovem de 25 anos aguardou de joelhos a hora da morte. Com um tiro na cabeça, ele tombou num terreno baldio a 50 metros da Estrada do Ganchinho, perto do Centro de Treinamento do Atlético, Umbará. O corpo só foi encontrado às 9h30 de ontem, mas o crime deve ter ocorrido durante a madrugada.

A trajetória da bala – que entrou no alto da cabeça, saiu pelo céu da boca e entrou no solo – e as marcas de terra na calça de brim do rapaz indicavam que ele estava ajoelhado no instante do disparo. “É o típico cenário de execução”, falou o investigador Sérgio, da Delegacia de Homicídios.

“Chulé”

Entre os vários curiosos que acompanharam o trabalho da polícia, apenas um rapaz identificou a vítima. Segundo ele, o jovem morto se chamava Alissandro Caparosa, vulgo “Chulé”, morava em local próximo e era viciado em crack. Até a tarde de ontem, nenhum parente havia comparecido ao Instituto Médico Legal para confirmar o nome e identificar oficialmente a vítima.

De qualquer forma, a polícia colheu outros indícios de que a vítima realmente era usuária de droga. O primeiro era o isqueiro que ela guardava no bolso da calça. “Normalmente o viciado de crack tem isqueiro e não tem cigarro”, observou o sargento Delfes, do 13.º Batalhão da PM, que atendeu o caso. Outra pista era o folheto de uma clínica de recuperação para dependentes químicos, encontrada junto ao cadáver. Também havia ao lado um cartão telefônico e um pedaço de papelão com um número de telefone fixo, escrito a caneta – ninguém atendeu às chamadas feitas a esse número pelos investigadores da DH.