A esposa que alegou ter encontrado o corpo do marido perto de casa na manhã de ontem, sem ter ouvido o homicídio acontecer durante a madrugada, foi apontada pela família da vítima como mandante do crime. A tragédia aconteceu na Rua Duílio Calderari, Jardim Paulista, em Campina Grande do Sul.

Aparentando estar com medo, sem demonstrar desespero pela morte de Roberto Santos Godoy, 53 anos, com quem foi casada por mais de 20 anos, ela ligou para a Polícia Militar por volta das 8h30. Ela relatou que ele chegava em casa do trabalho todos os dias por volta das 6h. Como ele não apareceu, ela decidiu procurá-lo e encontrou o corpo caído a pouco mais de 100 metros de casa.

De acordo com o perito Silvestre Ornellas, Roberto foi atingido por um disparo de uma espingarda calibre 12 a curta distância no rosto e tinha uma marca de pancada na cabeça, que pode ter sido causada quando ele caiu ao chão ou por uma paulada. Ao redor do corpo tinha um rastro de sangue de pouco mais de cinco metros, e o mato estava amassado, indicando que a vítima lutou com o assassino. O cartucho da espingarda foi apreendido a 50 metros do corpo.

Uma lanterna que pode ser da vítima foi encontrada próximo ao portão que dá acesso à casa, dando a entender que Roberto foi atender alguém que o chamou quando foi rendido e assassinado. De dentro da casa foram levados o celular da vítima e a espingarda dele, que pode ter sido a utilizada para matá-lo.

Suspeita

Roberto trabalhava para a faculdade há aproximadamente cinco anos. A casa em que ele vivia fica em um grande matagal atrás da instituição de ensino. Por volta das 18h, ele subia até a faculdade para vigiar o local, voltava para casa para lanchar durante a madrugada, e depois retornava ao trabalho.

Ele jantou com a família por volta de 23h de quinta-feira e não foi mais visto. A esposa, que teria ficado dentro da casa, relata que não ouviu o disparo nem pedidos de socorro. Já a irmã de Roberto, Gracilda Silva, que mora na mesma rua, garante que ouviu o tiro no início da madrugada.

Ela acredita que a esposa e a filha mais nova de Roberto cometeram o crime. “Ele já vinha reclamando das duas. Elas não trabalhavam, viviam às custas dele, que trabalhava doente para sustentá-las. A mulher vivia dizendo que não gostava mais dele e que queria que ele morresse. Também disse que queria se separar dele para ganhar pensão”, revela Gracilda.

Ainda de acordo com ela, a filha mais nova passou a consumir maconha e deixou a escola. Ela sumia de casa por várias semanas e era repreendida pelo pai, o que gerou várias discussões. Para Gracilda, a menina pediu ajuda a amigos traficantes para cometer o crime, possivelmente a mando da mãe.

A menina não soube das acusações no local do crime. Ainda assim estava extremamente irritada e ofendeu, aos gritos, os curiosos que acompanhavam o trabalho da polícia. Investigadores da Delegacia de Campina Grande do Sul devem ouvir as duas nos próximos dias.