Foto: Átila Alberti

Edmílson, 13 anos, foi encurralado pelo grupo rival.

O homicídio ocorrido na tarde de ontem na Vila Torres, Prado Velho, mostrou mais uma vez o poder que traficantes de drogas exercem sobre a região. Freqüentemente, policiais que tentam entrar na favela são recebidos à bala. Foi o que ocorreu às 14h30 de ontem. Bandidos atiraram contra policiais militares que apenas protegiam o corpo do garoto de 13 anos, assassinado a tiros, momentos antes.

Edmílson Pereira da Silva foi vítima de duelo entre as duas gangues, que disputam pontos de tráfico na vila. Ele foi perseguido e entrou em uma casa da Rua Irineu Adami, esquina com a Rua Guabirotuba. Os assassinos o encurralaram em um beco e acertaram dois tiros em seu peito.

Alvos

Como de praxe, policiais militares foram chamados para isolar o local de morte, até a chegada das polícias Civil e Científica. Junto com eles, estavam dezenas de curiosos. De repente, os moradores se dispersaram e, quando os dois policiais perceberam, eram alvo de tiros. ?Quando saímos do terreno para ver o que acontecia, vimos dois indivíduos atirando contra nós. Revidamos e, por sorte, não nos ferimos?, contou o soldado M. Amaral, do 12.º Batalhão da Polícia Militar.

Foto: Átila Alberti

Polícia tem que chamar reforço quando entra na vila.

Há menos de um mês, policiais do serviço reservado do mesmo batalhão entraram na Vila Torres em busca de traficantes. Nas três investidas, também foram recebidos a tiros. As ações resultaram em algumas prisões, mas a polícia garante que os chefes das gangues ainda estão soltos, decidindo quem vive, quem morre, quem entra e quem sai da favela.

Problema é antigo

Há anos a Vila Torres transformou-se em arena para duas gangues rivais, conhecidas como ?De baixo? e ?De cima?. Entretanto, com o passar do tempo os grupos se fortaleceram, apesar de diversas operações policiais feitas na região. Os duelos acontecem em pleno dia. Não poupam moradores e nem respeitam autoridades. Policiais são recebidos a tiros e o lugar transformou-se em terra sem lei. A linha que divide os dois territórios é a Avenida Guabirotuba, usada como acesso ao centro e à PUCPR, por centenas de pessoas, todos os dias.

Os grupos ficam nas margens da avenida, cada um no seu lado. ?Soldados? do tráfico, com armas em punho, observam ávidos por um descuido de qualquer membro do grupo rival. Foi o que aconteceu ontem, com o menino assassinado. ?Ele caminhava sozinho pela rua, quando a gangue ?De cima? o avistou. Eles invadem o território, matam e fogem para o lado deles?, contou o investigador Pimentel, da Delegacia de Homicídios.

A princípio, acreditou-se que o ataque aos policiais militares foi feito pelos mesmos assassinos do garoto. Mais tarde descobriu-se que os autores foram os aliados da vítima. Eles estavam armados, prontos para invadir o território inimigo. Com a chegada da polícia, o plano foi interrompido. Sobrou para os PMs.

Medo

Quando as gangues estão em guerra, os moradores esvaziam as ruas. Os policiais tentam combater o tráfico, mas a falta de efetivo dificulta as ações. Policiais militares têm que entrar em grupo na favela. Policiais civis temem até mesmo chegar para registrar a ocorrência de homicídio. ?Nós, da Polícia Civil, estamos sempre em dupla. Entrar aqui sem qualquer reforço é perigoso até mesmo à tarde?, disse o investigador Pimentel. O medo dos policiais pôde ser visto ontem, depois do ataque. Várias viaturas foram até o local, e todos os PMs estavam em estado de alerta, com armas em punho.

No final do ano a reportagem do Paraná-Online entrou na favela em busca de informações sobre a rivalidade dos grupos e foi expulsa por homens armados.