Eliel Trezeciak furtava
túmulos para sustentar vício.

Viciado em crack desde os 12 anos, Eliel Fernando Trezeciak, mais conhecido como “Nino”, 20 anos, achou uma maneira diferente para sustentar o vício: arrombar túmulos em cemitério. Depois de furtar alumínio e cobre de 34 sepulturas, Eliel foi apanhado por policiais da delegacia de Araucária, às 3h da madrugada de ontem, dentro do Cemitério Municipal Jardim Independência, no bairro Boqueirão. Dois comparsas do acusado, que seriam menores de idade, conseguiram escapar.

Sem demonstrar arrependimento e com seis passagens pela polícia, sempre por furto, Eliel descobriu que nos cemitérios tem muitos objetos de valor, que podem ser revendidos para ferros-velhos, para serem reciclados. O rapaz também retirou todos os fios elétricos do local. “Venho de madrugada. É tranqüilo, não tem ninguém. Também não tenho medo de fantasma”, contou, lembrando que passou a madrugada de sábado dentro do cemitério e furtou 27 sepulturas. Na madrugada de ontem, ele retornou e pretendia passar mais algumas horas, mas só conseguiu retirar o alumínio e o cobre de sete túmulos, depois foi apanhado.

Segundo Eliel, o “trabalho” depende do tamanho da sepultura. “Tiro com a mão mesmo. Esta grande eu demorei quase uma hora. As pequenas o tempo é menor”, afirmou. Para entrar no cemitério ele usa uma pequena abertura no muro. Mas, não foram só os túmulos que o ladrão atacou. Ele também furtou o tênis de uma funcionária, que tirou o calçado para limpar uma sepultura. Quando desceu, a moça não achou mais o par de tênis. “Eu tentei pegá-lo, mas ele correu. Passou por mim exibindo o tênis. Outro dia eu o vi carregando uma escada de alumínio e corri atrás, mas ele escapou novamente”, disse o pedreiro do cemitério, Amós Alves de Azevedo, apontando para o preso.

“Eu pego qualquer coisa que estiver na frente. Limpo tudo mesmo”, completou Eliel. “Pego filmadora, televisor, o que encontrar pela frente. Depois vendo tudo e compro crack, lá no Jardim Industrial”, explicou, denunciando que o traficante é um homem conhecido como “Vermelho”. “Já tentei largar o vício, mas não consigo”, completou Eliel.

Prejuízo

O administrador do cemitério, Iliseu Signoreto Rodrigues, disse que nunca viu tanta destruição. “Uma vez ou outra desapareciam os puxadores dos túmulos, feitos de metal e bronze. Mas agora este rapaz demoliu o cemitério, onde tinha fiação elétrica, ele arrancou”, ressaltou Iliseu, lembrando que na manhã de sábado o local amanheceu com cacos de vidros por todos os lados.

O superintendente Edson Vieira de Andrade, da delegacia de Araucária, que já prendeu o rapaz outras vezes, informou que nem os vizinhos escaparam da astúcia do ladrão. “Ele é parecido com o homem arranha, só não escala prédios, por enquanto”, ironizou o policial.

Edson disse que devido ao grande número de sepulturas depredadas, o delegado Jairo Estorílio pediu ajuda ao prefeito, que determinou que guardas municipais vigiassem o cemitério. “Ontem, quando ele retornou, os guardas ouviram o barulho e nos avisaram”, relatou. “A cada prisão do Eliel colocamos um traficante atrás das grades”, acrescentou o superintendente. Ele disse que as investigações continuam no sentido de identificar e prender os receptadores dos objetos furtados por Eliel. “Ele indicou uma pessoa, que já foi ouvida. Porém, não localizamos nenhum dos objetos furtados no cemitério”, acrescentou.