Foto: Hedeson A. Silva
Moradores dizem que o município vem
sofrendo com a ação de algumas gangues.

A violência vem amedrontando moradores do município de Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba. Assaltos, tráfico de drogas, prostituição e mesmo homicídios se fazem presentes principalmente em bairros mais populosos, como Jardim Tupi e Jardim Industrial. Nos dois locais se concentra a maior quantidade de ocorrências.

O presidente da Associação de Moradores da Região do Sol Nascente, Paulo Antônio da Silva, diz que o município vem sendo dominado pela ação de gangues organizadas, que são movidas pelo consumo de crack. “Araucária sempre foi uma cidade boa para se viver, mas ultimamente está muito perigosa”, afirma Paulo.

Em agosto do ano passado, ele perdeu um filho de 26 anos de idade, vítima de homicídio. Segundo ele, o rapaz foi massacrado por integrantes de uma gangue. “Está se formando um grupo de extermínio no município. Meu filho foi atacado por diversas pessoas. A maioria dos assassinos continua solta”.

A dona de casa Helena Monteiro também se queixa da ação das gangues. Nos últimos seis anos, ela teve três filhos, de 16, 18 e 24 anos, assassinados. “Da última vez que mataram um filho meu, há dois anos, o fizeram por causa de um par de tênis”, diz.

Helena acredita que falta policiamento na cidade, segurança e apoio às pessoas de bem, além de programas de combate às drogas. “A gente sai de casa e não sabe se vai voltar com vida. Temo muito pela minha filha de 34 anos e pelos meus netos”.

PM

O capitão da Polícia Militar Daniel Jacinto Berno confirma que o número de ocorrências registradas no Jardim Industrial e no Jardim Tupi é alto. Mas diz que os índices da cidade como um todo são considerados “dentro da normalidade”.

De acordo com ele, grupos de usuários de drogas costumam atuar nos dois bairros citados. Investigações, porém, estão sendo realizadas para tentar identificá-los. “Na maioria das vezes, os homicídios ocorridos no Jardim Industrial e no Jardim Tupi são gerados pela rivalidade de gangues. Os usuários de drogas se matam entre eles mesmos. Dificilmente pessoas inocentes são envolvidas”, analisa.

Daniel afirma que 28 policiais militares se revezam em três turnos em Araucária. Quatro viaturas atuam no município, cujo período considerado mais crítico é das 18 às 23 h.