Finalizando a série de reportagens especiais com os candidatos à Prefeitura de Curitiba, o Paraná-Online traz hoje ao leitor entrevistas sobre os planos de segurança pública para a capital, dos oito candidatos representantes dos partidos menores. Ao longo da semana foram publicadas as metas de combate à violência de Rubens Bueno, Mauro Moraes, Beto Richa, Osmar Bertoldi e Angelo Vanhoni. Nesta edição, o leitor confere as propostas de Achilles Ferreira Júnior, Vera Helena Teixeira, Danilo D?Ávila, Gilberto Felix, Leopoldo Campos, Pedro Manoel Neto e Melo Viana.

“Cassar alvarás de locais duvidosos”

Achiles Ferreira Júnior, candidato à Prefeitura Municipal pelo PTC, 31 anos, solteiro, formado em Administração de Marketing, ressalta que a questão de segurança pública “não é dever do município e sim do Estado, uma vez que o orçamento enviado pela União vai diretamente ao governo estadual. O que podemos fazer e está incluído no nosso plano de governo é uma parceria com o governador para utilizar a estrutura da Polícia Militar e da Polícia Civil para fazer o treinamento da Guarda Municipal. Os 1.300 homens que trabalham na Guarda receberiam treinamento para se tornarem mais capacitados na atuação contra o crime. A integração entre as polícias já existe, mas no atual governo há um grande desentendimento entre governador e o prefeito. Eles não falam a mesma língua e misturam os interesses políticos com os da população. Hoje, a segurança que é feita pela guarda municipal não é focada ao maior patrimônio que é o ser humano.Também iremos proibir o funcionamento e até mesmo retirar o alvará de bares e lanchonetes que servem como ponto de tráfico de drogas. Também iremos instalar câmeras de monitoramento nos sinaleiros”.

“Detectores de metais”

Danilo D?Ávila, candidato do PTdoB, partido do qual é fundador e presidente, tem 63 anos, é publicitário e jornalista. Sobre segurança pública, ele diz: ” Você não vai resolver o problema de segurança sem resolver a questão do desemprego. A violência é conseqüência disso. É necessário haver uma política econômica que gere renda para as famílias carentes da cidade. Muitas vezes os menores assaltam porque não têm o que comer. Há soluções de prevenção que devem ser tomadas. Eu acho que é fácil resolver os problemas de Curitiba porque eles são canalizados. A minha proposta é investir nos detectores de metais em locais públicos, como por exemplo na Rodoferroviária de Curitiba, onde todos os dias milhares de pessoas entram e saem da cidade sem ser revistadas. A mesma coisa deve ser feita nas estações-tubo. Um detector na catraca ou em uma porta antes que a pessoa chegue no cobrador, evitaria que os marginais andassem armados no coletivo. Os detectores de metais também serão instalados em shoppings e escolas, para evitar que os alunos entrem com canivetes na sala de aula”.

“Concentrar esforços na prevenção”

As propostas do candidato pelo PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) Gilberto Félix da Silva Júnior, para a área da segurança implicam investimentos em educação, moradia e trabalho. “Para isso vamos romper com a Lei de Responsabilidade Fiscal, que privilegia o pagamento a banqueiros e inibe investimentos na área social. Teríamos a Lei de Responsabilidade Social”, afirmou.

Para Gilberto, a criminalidade nasce da falta de perspectivas da população trabalhadora. “Temos de concentrar esforços na prevenção e não no curativo”, comentou. Para isso, ele pretende abrir campos de emprego, regularizando ocupações com o uso da mão-de-obra, até então desempregada, e com concursos públicos.A onda de violência, Gilberto atribui à propaganda maciça feita nos anos 70, que atraiu muitas pessoas à capital paranaense, gerando uma “população de desvalidos da sorte, que vieram em busca de trabalho”. Gilberto tem 46 anos, é servidor público federal na Delegacia Regional do Trabalho e diretor do Sindiprevis.

“Câmeras de vídeo em ônibus”

Jorge Luiz de Paula Martins, candidato do PRP, tem 52 anos, casado, três filhos e três netas, diz: “Eu tenho combatido muito as colocações de tentativas de responsabilizar o município quanto ao problema da segurança pública em Curitiba. Nós não temos Policia Municipal e sim a Guarda Municipal. É de competência do Estado a segurança. Na tentativa de colaborar com o governo nós iremos fazer a instalação de câmeras de vídeo em locais de maior concentração urbana. Um projeto que teve grande sucesso no Rio de Janeiro foi a instalação de câmeras dentro de ônibus, o que reduziu significativamente os assaltos no interior de coletivos. Com isso o que a Prefeitura vai poder fazer é mostrar para a Secretaria de Segurança Pública a cara dos bandidos na telinha”.

“Aumento da Guarda Municipal”

Para Leopoldo Campos, candidato do PSDC (Partido Social Democrata Cristão), para melhorar a segurança pública é preciso: “Primeiro estancar a violência, aumentando o efetivo da Guarda Municipal, chamando as 360 pessoas que já foram concursadas. Tenho como meta colocar um módulo da Guarda Municipal em cada um dos 75 bairros e monitorar cada rua de comércio, onde haja grande movimentação para inibir assaltos, principalmente onde haja densidade populacional. Os guardas municipais vão fazer rondas pela cidade. Além de colocar um guarda em cada escola, de modo a proteger o patrimônio e as pessoas que ali se encontram”. Leopoldo Campos tem 51 anos, é engenheiro civil.

“Vamos criar a Guarda da Família Curitibana”

Pedro Manoel Neto, do PMN (Partido da Mobilização Nacional), tem como carro chefe de campanha a “geração de empregos, porque assim, automaticamente vai diminuindo a criminalidade. Segurança é atribuição do governo do Estado e do governo federal. Como a situação da segurança está caótica em Curitiba, proponho fazer concurso para aumentar o efetivo da Guarda Municipal. Também vou criar a Guarda da Família Curitibana, onde os guardas vão morar em casa no mesmo terreno da escola. Assim vou gerar mais empregos. Será um profissional qualificado, talvez com curso de graduação. Ele vai fazer contato com a população e inibir a criminalidade. Também pretendo fazer um senso sócio-econômico com pais de alunos, para detectar problemas como drogas, alcoolismo e quem é infrator, para tomarmos providências. Vou tentar viabilizar a famosa parceria que todos os candidatos falam. Deste modo, quando o guarda detectar qualquer irregularidade, vai ter um mecanismo correto. Nós do PMN entendemos que não precisamos de soluções faraônicas, mas de um trabalho sério e com eficiência. Quando falo em segurança não pretendo resolver o problema, mas diminuí-lo”.

Pedro Manoel Neto tem 44 anos, é casado, pai de dois filhos. Graduado em Direito, é funcionário público, lotado na Justiça Federal. Paulista, reside em Curitiba desde 1994. Foi candidato a deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT), nas eleições de 2002.

“Criaremos a Secretaria da Paz”

Melo Viana, do Partido Verde (PV), no tocante a segurança pública diz: “Primeiro não mentir para o eleitor e dizer que a Prefeitura vai resolver o problema da segurança. Segundo, a segurança está atrelada ao nível de renda da família. Sem isso vai aumentando a violência. O Estado é detentor da Polícia Civil e Militar. A nível municipal, temos a Guarda Municipal, que não tem poder de polícia. Mas não cabe ficarmos de braços cruzados. O município pode aplicar recursos na área de educação. Para combater o problema da segurança vamos criar a Secretaria da Paz, que vai incorporar a defesa social. Nós do Partido Verde pregamos que a administração pública tem que exercer o papel para que o cidadão se desenvolva espiritualmente. O ser humano também precisa de paz. O mecanismo para isto são as secretarias. Não adianta para Curitiba o sistema de Nova York, como tem candidato propondo, nem a integração das polícias. Se o social não mudar, a violência vai piorar”.

Melo Viana tem 48 anos, é funcionário do Banco Central há 28 anos. É a primeira vez que concorre a um cargo eletivo.

“Estimular programas educativos”

Vera Helena Teixeira, do PRTB, única candidata mulher à Prefeitura, diz:

“Esta parte de segurança, o município pouco faz. Tem que fornecer a eficácia. Colocando câmaras de monitoramento e melhorando a iluminação, o município pode contribuir. Além disso, são importantes as campanhas para as pessoas terem mais cuidados. Também pretendo estimular programas educativos, criando novos hábitos de um povo civilizado. Isto se faz com educação. Hoje, temos um grande problema na área de segurança porque temos um povo que não está educado. Houve rupturas. O que temos hoje é uma falha na educação. Falo de acompanhamento, desenvolvimento moral. Um gerenciamento o Estado tem como fornecer. Um exemplo disso é a reciclagem do lixo. O mesmo processo pode ser feito na segurança. As campanhas educativas funcionam como um processo inibidor. Temos alguns locais onde a Guarda Municipal pode fazer rondas e inibir a criminalidade. Quanto à iluminação, vamos aumentar a capacidade nas áreas de risco. Penso que poderemos colocar câmeras de monitoramento nas estações-tubos, onde há muitos roubos, e nos terminais, em determinados horários. Temos que fazer com que tenham ocupação, despertar para uma força atuante”.

Vera Helena Teixeira, 43 anos, divorciada, mãe de um filho e está grávida de sete meses. É arquiteta e trabalha na iniciativa privada na área de reformas. Nascida em Porto Alegre (RS), mudou-se para Curitiba aos 7 anos de idade, com a família.