Após um ano do início da vacinação contra a Covid-19 no Brasil, que atualmente imunizou quase 70% da sua população com as duas doses do protocolo inicial, os dados indicam que 90% das pessoas que estão desenvolvendo a doença na forma mais grave ou precisam ser hospitalizadas são aquelas que não completaram o esquema vacinal.

Com novas variantes em circulação pelo mundo, observa-se o escape parcial de algumas dessas cepas aos imunizantes que atualmente estão sendo aplicados. Isso faz com que muitos questionem: “se é possível contaminar e ser contaminado mesmo após a vacina, por que alguns lugares exigem comprovação do esquema vacinal?”.

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Quem responde essa pergunta é o professor do Departamento de Bioquímica e Biologia Molecular e presidente da Comissão de Acompanhamento e Controle de Propagação do Novo Coronavírus na Universidade Federal do Paraná (UFPR), Emanuel Maltempi de Souza. “O objetivo de exigir a vacinação é sanitário. O intuito é reduzir a circulação do vírus, especialmente nos locais por onde transitam muitas pessoas”.

Apesar de muitos infectados, mesmo que vacinados, transmitirem o vírus a outros indivíduos, a chance de isso acontecer é muito menor caso estejam com o esquema de vacinação completo. Isso porque os vacinados apresentam uma carga viral menor e por menor período de tempo do que aqueles que não se imunizaram. “Temos esses dados para diversas variantes, inclusive para a Delta, que é uma cepa de transmissibilidade muito alta, assim como a Ômicron. Quem tem menos vírus, transmite menos. Quem está infectado e transmite por menos tempo, também vai transmitir menos”, explica o professor.

A chefe da Unidade de Infectologia do Hospital de Clínicas da UFPR e coordenadora do estudo da vacina CoronaVac no Paraná, Sonia Mara Raboni, também afirma que a menor carga viral e o menor tempo de eliminação do vírus impactam na transmissibilidade. “Se as pessoas têm uma quantidade menor de vírus sendo eliminada e por um tempo menor, aliando-se às medidas restritivas que já são recomendadas – como máscara e distanciamento social -, há diminuição da possibilidade de infecção de outras pessoas”.

De acordo com Raboni, se houvesse um programa de vacinação mundial em massa, a pandemia já estaria chegando ao fim. “Nós ainda estamos sofrendo consequências dessa pandemia por conta da limitação de vacinação em muitos países, que sabemos que têm problemas até mais sérios que o Brasil”, salienta.

“A grande vantagem de circular em ambientes frequentados apenas por pessoas vacinadas é justamente a menor transmissibilidade do vírus”, revela Souza. Ele destaca que se a máscara reduz a transmissão em mais de 70% – fazendo uma média que leva em conta os níveis de proteção de diversos tipos do artefato – somada à redução da propagação pelos vacinados, ganha-se em menor transmissibilidade de um modo geral.

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