Você certamente já ouviu falar que é “indicado retirar a língua de uma pessoa durante uma crise convulsiva para que ela não se afogue”. Deve ter escutado também que o fenobarbital (Gardenal) é um remédio para louco, ou mesmo que a epilepsia é uma doença contagiosa, que pode ser transmitida pela saliva.

Embora a epilepsia seja uma das doenças neurológicas mais comuns na população, ainda assim perduram preconceitos e estigmas em torno dela. São grandes mitos que precisam ser esclarecidos e corrigidos.

Por isso o Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia, conhecido como Purple Day (Dia Roxo) e celebrado no próximo sábado (26), é uma data tão importante para levar informação a sociedade, buscando desconstruir visões equivocadas sobre a doença.

Com esse intuito, o Hospital INC (Instituto de Neurologia de Curitiba) vai promover um evento na filial do Pátio Batel, neste sábado, às 9h30, com uma programação voltada para desmistificar a doença, esclarecer os tratamentos e a prevenção. A entrada é gratuita.

A epilepsia é uma doença que apresenta uma prevalência de 2% a 3% na população segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) – estima-se que 3 milhões de brasileiros têm epilepsia, e na Região Metropolitana de Curitiba esse número deve chegar a 90 mil. “Muita gente acha que a epilepsia só se apresenta por meio de crises convulsivas, aquelas que o paciente cai no chão e se debate. Ela pode se manifestar apenas com episódios do paciente ‘sair fora do ar’ por alguns segundos”, explica o neurologista do INC, Dr. Bruno Takeshita.

“Se não for tratada, a doença pode evoluir e provocar interferências na questão cognitiva, além de colocar a vida dela e de outras pessoas em risco se, por exemplo, provocar um acidente de carro em função da perda súbita de consciência”.

De acordo com o neurologista, outra informação errada é que a epilepsia só aparece na infância, nos primeiros anos de vida. Na verdade, ela pode se manifestar em qualquer idade, até nos adultos e idosos, com 90 anos ou mais. “A doença é causada por descargas elétricas anormais e excessivas que provocam alteração nos neurônios. As crises epilépticas podem ser convulsivas, nas quais os pacientes apresentam abalos, e também existem as crises em que o paciente fica com olhar parado, por poucos segundos, e que nem ele mesmo faz ideia de que seja epiléptico”.

A conscientização sobre a epilepsia é muito importante para que fique claro que esta é uma condição que pode ser tratada e até curada. Com acesso a um diagnóstico e tratamento adequados, cerca de 70% dos pacientes poderão controlar as crises com medicamentos, inclusive, podem trabalhar e levar uma vida normal – e devem ser estimulados a isso. Os outros 30%, que são refratários ao tratamento, podem se beneficiar da cirurgia que retira ou controla o foco epiléptico, indicação que será determinada após investigação com exames médicos, como ressonância magnética e eletroencefalograma prolongado.

A participação é gratuita. Inscrições: www.eventosinc.com.br

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