Desde fevereiro deste ano, a cirurgia de redução de estômago por meio de videolaparoscopia passou a ser oferecida a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no Hospital do Rocio, em Campo Largo, região metropolitana de Curitiba. A novidade foi possível por meio de uma parceria entre o hospital e a empresa Medtronic, fornecedora de equipamentos médicos. A cirurgia bariátrica por vídeo é um método minimamente invasivo que permite uma recuperação mais rápida do paciente. O Rocio tem convênio com vários municípios do Paraná para realização de cirurgias eletivas.

O uso da técnica por vídeo ainda é raro no SUS, tendo sido realizado em apenas 7,2% dos pacientes operados no Brasil, entre 2017 e 2021. Foi em 2017 que a técnica do vídeo para a cirurgia bariátrica foi incluída no SUS. Só que, atualmente, a rede pública de saúde oferece a cirurgia aberta em maior quantidade. A técnica aberta exige grandes incisões, tem maior índice de complicações e precisa de um um tempo maior para que o paciente receba a alta hospitalar. 

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Segundo o médico Paulo Nassif, coordenador médico do projeto Pégasus do Hospital do Rocio, em dois meses a parceria já beneficiou 160 pacientes. “A obesidade está associada a uma série de comorbidades. Quanto mais tempo o paciente espera pela cirurgia, maior agravamento do quadro. Além disso, temos o impacto emocional e psicológico na vida desses pacientes que sofrem discriminação, perdem qualidade de vida e muitas vezes têm que se afastar do trabalho por complicações do quadro”, esclarece o médico.

Se na cirurgia aberta o paciente tem alta em dois a três dias, Nassif explica que na cirurgia videolaparoscópica ele é liberado pela equipe médica no dia seguinte, em grande parte dos casos.

De acordo com a empresa parceira, esse relacionamento com o Rocio integra um programa mais amplo da Medtronic denominado Pegasus (Programa de Especialidade e Geração de Acesso ao Sistema Único de Saúde), que deverá envolver 20 hospitais públicos e privados nas regiões Sul, Sudeste, interior de Minas e outras capitais durante os próximos três anos. A Medtronic diz que a expectativa é beneficiar mais de 20 mil pacientes neste período por meio de intervenções minimamente invasivas em Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Aparelho Digestivo, Ginecologia e Cirurgia Geral.

“Vou poder colocar uma roupa e me sentir bonita”

A vendedora Ana Paula Moraes, 44 anos, aguarda a fila do SUS há mais ou menos quatro anos para realizar a cirurgia, que aconteceu na última quinta-feira (12). Moradora de Quatro Barras, região metropolitana de Curitiba, casada, mãe de três filhos, já tem netos e estava ansiosa para o procedimento. A obesidade trouxe para a vida da paciente o diabetes tipo 2, cansaço, baixa autoestima, varizes e dor nas pernas. Quando descobriu que a cirurgia seria feita por vídeo, chegou a chorar de tanta felicidade.

“Não me aguentava de tanta ansiedade. A cirurgia veio para resgatar uma nova vida, com muito mais saúde, disposição, vontade de viver. Já sou avó, tenho muita vontade de estar bem de saúde, melhorar a autoestima, poder colocar uma roupa e me sentir bonita, coisa que há anos não sinto. Será a maior alegria da minha vida”, disse a vendedora, alguns dias antes do procedimento.

"São muitos sonhos que estão a poucos dias de serem realizados, graças a Deus”, disse Ana Paula.
“São muitos sonhos que estão a poucos dias de serem realizados, graças a Deus”, disse Ana Paula. Foto: Arquivo Pessoal.

Quando questionada sobre algo que ela não conseguia fazer devido a obesidade, a Ana Paula revelou que não via a hora de sair para passear e poder se sentar nos lugares sem medo de quebrar a cadeira. “Também fazer exercícios físicos e dançar, sem medo de infartar pelo cansaço. São muitos sonhos que estão a poucos dias de serem realizados, graças a Deus”, concluiu ela.

Em contato com a reportagem, a equipe do médico Paulo Nassif informou que a cirurgia da Ana Paula foi um sucesso. Ela voltou para casa já na sexta-feira (13).

Obesidade: um problema de saúde pública 

De acordo com a última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde, um em cada quatro adultos estava obeso em 2019. São 29,5% das mulheres e 21,8% dos homens.  

Outro estudo recente, o Diet & Health Under Covid-19, que entrevistou 22 mil pessoas de 30 países em 2021, identificou que foram os brasileiros os que mais ganharam peso durante a pandemia. Aqui, cerca de 52% dos entrevistados declararam ter engordado. A média global é de apenas 31%. Ainda segundo a pesquisa, os brasileiros ganharam, em média, cerca de 6,5 quilos neste período. 

Quem pode fazer a cirurgia? 

Entre os critérios previstos nas portarias 424 e 425 do Ministério da Saúde para realização da cirurgia bariátrica pelo SUS estão o encaminhamento de pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) igual a 50 e pacientes com IMC igual a 40 , com ou sem comorbidades, sem sucesso no tratamento clínico por no mínimo dois anos e que tenham seguido protocolos clínicos. 

As portarias também permitem a indicação para cirurgia bariátrica de pacientes com IMC acima de 35 e com comorbidades com alto risco cardiovascular, diabetes e/ou hipertensão arterial de difícil controle, apneia do sono, doenças articulares degenerativas ou outras que não tenham tido sucesso no tratamento clínico longitudinal realizado por no mínimo dois anos e que tenham seguido protocolos clínicos.

Mesmas técnicas

Existem hoje no Brasil duas técnicas, aprovadas e liberadas, para a cirurgia bariátrica: Sleeve (gastrectomia vertical) e Bypass gástrico.

O Bypass reduz o estômago através de grampeamento. Como o estômago é dividido em duas partes, uma menor e uma maior, a menor parte é ligada ao intestino para que o alimento siga o curso natural. Ela mistura duas modalidades – a redução do estômago e o desvio da comida para o intestino – favorecendo o emagrecimento.

O Sleeve, ou gastrectomia vertical, traz apenas a restrição do tamanho do estômago. Tem apenas um mecanismo de perda de peso.

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