Imagine que, todas as manhãs, antes de sair de casa, você escolhe a calça que vai vestir, a camiseta, o casaco, e, agora também, a máscara facial. Há quem se assuste com a possibilidade de uma nova realidade pós-pandemia de coronavírus com uso corriqueiro de máscaras, mas há quem diga que elas vieram para ser parte do nosso dia a dia. 

No Japão, o uso delas já foi visto com olhares preconceituosos pelos ocidentais. E até a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) chegou a divulgar no início da pandemia que as máscaras faciais deveriam ser usadas apenas por profissionais de saúde ou por quem estivesse infectado pela doença. Porém, com o avanço da covid-19, a OMS reconheceu a importância delas no controle da pandemia. 

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Como elas já entraram na nossa rotina, as máscaras ganharam visibilidade e trazem na estampa a personalidade de quem usa. Os mais discretos vão direto por cores lisas. Há quem use o escudo do time de coração na estampa, desenhos fofinhos, mensagens de protesto ou a imagem de um santo de devoção.

Empresas têm adotado as máscaras como parte do uniforme. Com a logomarca da firma estampada, as máscaras também viraram uma forma de demonstrar preocupação da empresa com seus funcionários. Órgãos públicos têm colocado a marca deles nas máscaras dos colaboradores.

Prefeito Rafael Greca. Foto: reprodução / Instagram.

O presidente Jair Bolsonaro tem usado o acessório com o próprio rosto estampado e com o símbolo da República durante as coletivas em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília. O prefeito de Curitiba, Rafael Greca, usa máscaras com a bandeira da cidade.

A máscara como salvação

Tem gente que usa a contragosto, mas há também quem viu na fabricação das máscaras um alívio nas contas. É o caso da Rosane Azevedo Costa Pereira, de 35 anos, que mora em Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba.

Rosane tem um estúdio de tatuagem e body piercing com o marido. Com a pandemia, o casal teve que fechar por tempo indeterminado. Além disso, como um complemento na renda, a body piercer também faz lembrancinhas e peças infantis com estamparia por sublimação – que usa um tipo de prensa quente. E foi justamente a experiência com estamparia que salvou Rosane das contas.

Rosane faz máscaras personalizadas com estamparia por sublimação. Foto: Lineu Filho / Tribuna.

Com as contas se acumulando, Rosane viu máscaras com estampas e pensou que poderia confeccioná-las também. “Comecei a fazer, para ocupar a cabeça e fugir da depressão que estava entrando. Pensei em fazer umas 50 de começo, mas minha amiga me encorajou a fazer mais. Acabou que vendi 200 na primeira semana”, conta, empolgada.

A empreendedora acredita que as estampas diferentes, personalizadas, refletem a personalidade do brasileiro. “No Japão, na China, você vê que todo mundo usa máscara branca. Com essa opção de máscara divertida, dá uma relaxada nesse clima tão tenso. Principalmente as de estampas infantis, incentiva as crianças a usar”, revela.

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Com um valor médio de R$ 10, Rosane vende máscaras com estampas de super-heróis, mas também com imagens dos bichinhos de estimação e também recebe encomendas de empresas. 

“Tem gente que encomenda para a família toda, com coisas divertidas que se identificam. Tem bastante gente pedindo máscara com o focinho do próprio cachorro. Uma cliente me pediu uma máscara com a foto da calopsita dela. Teve de foto do carro, é uma coisa bem pessoal mesmo”, diz. 

Sem tempo para crises

Com encomendas chegando cada vez mais, Rosane fabrica cerca de 300 máscaras personalizadas por semana. Ela leva os tecidos para impressão na gráfica e conta com a ajuda de uma amiga, que faz a costura. “Eu ainda entrego todas as máscaras esterilizadas em autoclave. Estou aproveitando o recurso que eu tinha do meu estúdio”, conta.

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Enquanto o estúdio não abre, a empreendedora acredita que a fabricação das máscaras será a fonte de renda dela. “Eu busquei muita informação e me aprofundei na criação das artes. Não sei até quando elas vão ser obrigatórias, até quando o povo vai estar empolgado com isso. Por enquanto a demanda está grande, mas vai chegar a hora que todo mundo vai ter muitas”, conta ela. Enquanto pode, Rosane abraça a oportunidade para sair da crise. 

Proteção além da covid-19

Para o presidente da comissão de estudos da covid-19 na Universidade Federal do Paraná (UFPR), professor Emanuel Maltempi de Souza, a máscara facial tem sido um acessório essencial para o controle da pandemia. “Sem dúvidas, o uso de máscaras mais a manutenção de um 1,5 m de distância entre as pessoas reduz em 99% a chance de pegar a covid-19”, esclarece o docente. 

De acordo com o professor, a máscara caseira tem capacidade de prevenir também outras doenças respiratórias, como a gripe. No entanto, a proteção só consegue filtrar partículas grandes, e não é eficaz para filtrar as impurezas do ar poluído que respiramos na cidade.


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