O toque de afeto inicia na vida de todos nós já no dia em que nascemos. No contato da mãe com o bebê, que afaga o filho no colo logo após o parto – gesto tão importante que acalma e dá segurança. Com o isolamento social neste período de pandemia, muitas pessoas têm sentido falta de um abraço, um carinho. Nós brasileiros, então, nem se fala! Estamos acostumados ao toque, ao abraço, ao aperto de mão. A situação fica ainda mais complicada para quem mora sozinho, o que tem colaborado para aumento de quadros como de depressão e ansiedade.

“A gente sabe que o contato físico, um abraço, um carinho, isso muda os hormônios do nosso corpo”, explica a médica psiquiatra Raquel Heep, professora de Saúde Mental do curso de medicina da Universidade Positivo. O carinho pelo toque diminui cortisol, aumenta a serotonina e a ocitocina, o hormônio do amor. A endorfina também é mais produzida, o que nos faz sentir prazer. 

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Todas essas mudanças hormonais se traduzem em bem-estar. “Isso se traduz em melhora da pressão arterial, aumenta a longevidade, diminui o risco de obesidade, risco de depressão e estresse”, explica a psiquiatra.

Os hormônios também ajudam a manter a imunidade alta, diminuindo o risco de infecções. “Dores crônicas e crises de enxaqueca têm uma melhora importante quando a pessoa tem o contato físico. Causa uma série de benefícios”, garante a médica.

Como driblar a falta de contato físico

Enquanto é preciso manter o distanciamento social para controlar o coronavírus, é possível aumentar os níveis hormonais de outras maneiras. A mais fácil de todas é a endorfina, liberada na atividade física. “Vale caminhar um pouco ou fazer algum exercício em casa”, lembra a especialista. 

Na falta de um abraço e um chamego, vale o contato com o animalzinho de estimação, cuidar das plantas. “Ver a vida crescer, fazer jardinagem, cultivar alguma coisa”, sugere a médica. Se puder, a sugestão da médica é meditar, ir para perto da natureza. São várias as formas de substituir a ausência do contato físico e manter a saúde mental em dia.

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Vale lembrar também que o distanciamento é físico e não pessoal. “Fazer mais chamadas de vídeo, dizer para as pessoas que você as ama e sente falta delas também é importante. Isso faz você sentir o amor. Não tem o contato, mas tem outras formas de sentir”, sugere a médica.

Chamadas em grupo, com os amigos, com os avós ou pais idosos, mostrando como a casa está, o que tem feito na quarentena, são maneiras de se fazer presente e aliviar os sintomas da falta do abraço.

Isolamento x depressão

Um estudo divulgado em maio pela Revista Científica da Ordem dos Médicos, de Portugal, aponta que a quarentena massiva de milhões de pessoas em simultâneo, e sem um término à vista, é um aspecto negativo para a saúde mental. “Se é verdade que o isolamento é importante para proteger a nossa saúde física, impedindo o contágio pelo vírus, também é verdade que quanto mais tempo estivermos isolados, maiores serão os riscos de sofrermos doenças psiquiátricas”, alerta o estudo português.

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A quarentena pode originar uma série de sintomas psicológicos, como o humor deprimido, irritabilidade, ansiedade, medo, raiva, insônia, etc. O estudo afirma que esses sintomas podem causar consequências a longo prazo para a saúde mental. Uma análise com outras quarentenas já registradas aponta que três anos após o período de isolamento, verificou-se um aumento de risco para o aparecimento de abuso de álcool, sintomas de perturbação de stresse pós-traumático e depressão. 

Além do receio de contrair a doença, existem também ainda outros fatores que aumentam a vulnerabilidade psicológica, como as dificuldades econômicas e aumento do desemprego. Com a insegurança da situação atual, é natural se sentir mais vulnerável aos sentimentos. Porém, é preciso ficar de olho para saber quando uma situação de tristeza precisa de ajuda profissional. “Sim, estou sozinho. Hoje eu tô com vontade de chorar, não tem problema se sentir enfraquecido. Mas olhar para dentro dos próprios sentimentos é importante para que não vire uma depressão”, alerta a médica psiquiatra.

O ideal, segundo Raquel Heep, é perceber quando a tristeza e a ansiedade está afetando a rotina. “O quanto eu tenho deixado de produzir. Se eu passei a não estudar mais, a não trabalhar, eu modifiquei a minha produtividade. Quando a gente vê que está insuportável, que chegou a cogitar a tirar a própria vida, aí é preciso buscar ajuda”, alerta. 

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Ansiedade é uma resposta natural ao desconhecido. “Todos nós estamos vivendo o desconhecido com a covid-19. Precisamos estar atentos aos sentimentos, aos sintomas físicos, se o coração fica acelerado. A ansiedade também pode virar doença. Por isso, o importante é não catastrofizar”, salienta.


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