Uma pesquisa com quase 50 mil pacientes adultos com diagnóstico de covid-19 mostrou que inativos fisicamente tiveram maior risco de hospitalização, admissão na UTI e morte após o diagnóstico da doença pelo novo coronavírus do que quem realiza alguma atividade física, mesmo que pouca.

LEIA MAIS – SUS recebe remédios de kit intubação em mandarim e teme confusão

Ao analisar 48.440 pacientes adultos com diagnóstico de Covid-19 de janeiro a outubro de 2020, pesquisadores norte-americanos do Departamento de Pesquisa e Avaliação da Kaiser Permanente Southern California classificaram como inativos aqueles que faziam de 0 a 10 minutos por semana de atividades físicas, os que faziam alguma atividade aqueles entre 11 e 149 minutos semanais, e aqueles que atendiam consistentemente às diretrizes da Organização Mundial de Saúde, os que faziam 150 minutos ou mais semanais de atividades físicas.

Comparados aos mais ativos, o estudo mostrou que os inativos tiveram 226% mais chances de serem hospitalizados, 173% mais chances de serem internados em uma unidade de terapia intensiva (UTI), e 149% mais chance de morrer.

Apesar de a faixa de quem faz alguma atividade ser muito extensa, entre 11 minutos e 149 minutos por semana, os inativos tiveram em relação a esse grupo 120% mais chances de ser hospitalizado, 110% mais chances de precisar de internação em cuidados intensivos e 132% mais chances de morrer. “Os resultados deste estudo representam diretriz clara e prática que pode ser usada por populações em todo o mundo para reduzir o risco de desfechos graves de Covid-19, incluindo morte”, disse ao Medscape a autora do estudo, a PhD Deborah Rohm Young.

VIU ESSA? Vacinação para pessoas com comorbidades começa em maio. Confira lista de doenças

Entre outras conclusões, chegou-se a de que ser inativo foi fator de risco maior para desfechos graves da Covid-19 do que outras condições médicas subjacentes e fatores de risco identificados – como tabagismo, obesidade, diabete, hipertensão, doenças cardiovasculares e câncer –, exceto para idade e histórico de transplante de órgãos. “A prática regular de atividade física pode ser a ação mais importante que os indivíduos podem tomar para prevenir Covid-19 grave e suas complicações, incluindo a morte”, recomendam os pesquisadores no estudo.

Outras descobertas

Além da descoberta de que inativos têm maior probabilidade de ser hospitalizados, admitidos na unidade de terapia intensiva e morrer do que quem cumpre consistentemente diretrizes de atividade física, o estudo concluiu que o potencial da atividade física habitual para reduzir a gravidade da Covid-19 deve ser promovido pela comunidade médica e agências de saúde pública e que as recomendações para o controle da pandemia devem incluir atividade física regular em todos os grupos populacionais.