Crianças também podem transmitir e desenvolver a covid-19, e o uso das máscaras é uma medida de proteção recomendada. Embora as entidades de saúde sugiram idades variadas para a adoção do cuidado, uma orientação parece ser unânime: dispense os modelos N95/PFF2 para as crianças.

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“Tudo que eu tenho lido [sobre o uso das máscaras N95/PFF2 para crianças] tem desaconselhado. É uma máscara que abafa muito, de difícil uso, e não pode ser usada em substituição a outras medidas de proteção, como a ventilação”, explica Maria Martha Duque de Moura, médica pediatra e sanitarista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).

Moura explica que, quando se calcula os cuidados de proteção dos filhos, deve-se levar em conta que a máscara é uma das medidas, mas não a única. “Hoje a gente sabe que os cuidados incluem ela [máscara], a ventilação do ambiente, que está em primeiro lugar nas preocupações, a lavagem das mãos, e o distanciamento”, destaca a médica, que também faz parte do Grupo de Trabalho (GT) sobre o retorno escolar da Fiocruz. 

Se for imprescindível a presença da criança em algum ambiente de risco, a médica explica que é melhor, e mais fácil, manejar as outras ferramentas em vez de colocar uma máscara mais reforçada. “É melhor tirá-la da sala fechada do que colocar uma máscara N95/PFF2 na criança”, destaca.

Sem N95/PFF2, quais são as máscaras indicadas?

O desaconselhamento de um modelo não impede que outros possam ser adotados. Para crianças, Moura indica as máscaras de tecidos mais leves e mesmo as cirúrgicas. “O difícil na infância é você conseguir uma máscara que tenha uma boa adaptação para o tamanho. As crianças têm uma variação de tamanho maior”, explica.

De acordo com informações do Centro para Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC, na sigla em inglês), o mais importante é que os pais percebam se a máscara está bem ajustada ao rosto, cobrindo nariz e boca, e que não haja a saída de ar pelas laterais.

Quando a criança deve usar a máscara?

Tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) recomendam que as crianças passem a usar as máscaras a partir dos cinco anos de idade. A orientação se baseia em medidas de segurança, além da capacidade de a criança em usar a máscara de forma adequada com o mínimo de assistência de um adulto.

No caso do CDC e da Sociedade Brasileira de Pediatria, a recomendação é de que crianças a partir dos 2 anos já possam fazer uso da proteção. “Todos desaconselham o uso de máscaras para crianças com menos de 2 anos. Isso é unânime por causa do risco de sufocamento”, explica a médica pediatra.

Para crianças entre os 6 e 11 anos, a OMS e a Unicef listam alguns fatores que devem permear a decisão do uso das máscaras:

  • Há uma alta transmissão na área em que a criança reside?
  • A criança tem habilidade para usar de forma segura e apropriada a máscara?
  • A criança tem acesso às máscaras, bem como à lavagem e substituição dos itens de proteção em determinados locais, como escolas?
  • Há supervisão adequada de um adulto e instruções para que a criança saiba como colocar, tirar e manejar de forma segura a máscara?
  • Quais são os potenciais impactos do uso da máscara no aprendizado e desenvolvimento psicossocial da criança?
  • A criança tem interação com pessoas que estão em alto risco de desenvolver covid-19 mais grave, como idosos ou pessoas com problemas de saúde?

Acima dos 12 anos, a recomendação do uso do item é igual às orientações dos adultos.

Ar livre sem máscara?

Seja a idade que a criança tiver – desde que acima dos 2 anos –, o uso da máscara vai depender do gerenciamento de risco da família. Deixar a criança brincar em um parque, ao ar livre, sem a máscara, por exemplo, pode ser possível em um momento de menor transmissão do vírus, segundo explica a médica pediatra e sanitarista.

“Ao ar livre, a transmissão da covid-19 é menor. Mas qual é o mapa de risco naquele momento, naquela cidade em que a criança está? Se estivermos com baixa transmissibilidade, pode ser que a criança fique sem máscara. Mas se estamos no vermelho ou roxo da pandemia, nem no espaço externo podemos prescindir da máscara, porque ainda temos baixa taxa de vacinação”, explica a especialista.