Em meados de março do ano passado diversas categorias se renderam, mesmo que de maneira forçada, a um modelo de trabalho ainda pouco popular no Brasil: o home office. Um ano após as adaptações que levaram gestores e funcionários a mudar suas rotinas e espaços, já é possível fazer um balanço dos impactos deste modelo entre os funcionários.

A pesquisa Um ano após a pandemia: como mudou o mundo do trabalho?, encomendada pela Citrix, apontou que, ao menos, 69% dos trabalhadores se sentem melhor ao trabalhar em casa e após a pandemia aceitariam migrar para um modelo híbrido de trabalho.

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A Citrix é especializada em soluções de trabalho digital e, para realizar a pesquisa, contou com o apoio da consultoria OnePoll. Foram entrevistados profissionais de diversas áreas, como indústria, manufatura, financeiro e serviços, de cinco países, entre eles México, Chile, Colômbia, Argentina e  Brasil.

Para Luis Banhara, diretor geral da Citrix para o Brasil, o modelo híbrido de trabalho veio para ficar. “Algumas empresas já estavam trabalhando com o home office antes da pandemia, no Brasil cerca de 10%. Empresas de segmentos distintos já vinham se preparando para esse modelo. A pandemia foi catalisadora e forçou as empresas a criarem esse mecanismo, que ajudou também a desmistificar a gestão à distância”, avalia.

Segundo o diretor, os impactos do home office nas empresas e cidades serão sentidos gradualmente nos próximos anos. Banhara alerta que as empresas não devem olhar para o home office apenas como mecanismo de economia, mas como uma realocação de investimentos. 

“A empresa não pode olhar apenas pra a economia, o sucesso do negócio depende das pessoas. Em home office é preciso olhar para benefícios, treinamento dos funcionários, gestores e tecnologia. A empresa deve criar um espaço de trabalho digital e seguro para o funcionário”, explica Banhara.

Benefícios e desafios 

Também segundo a pesquisa alguns desafios ficam evidentes no home office. Entre os principais problemas citados pelos entrevistados estão distrações no ambiente de trabalho (51%), falta de equipamento de escritório (35%) e falta de tecnologias ou acesso a documentos e arquivos apropriados para a execução das tarefas (32%).

A desigualdade também fica evidenciada com as mudanças no método de trabalho. A pesquisa “Mulheres na tecnologia: onde estamos? Compreendendo a evolução feminina no setor”, apontou que para 40% das mulheres que trabalham com tecnologia, o home office dificulta o desenvolvimento profissional.

Na visão da Citrix a responsabilidade pelo bem estar do funcionário e, consequentemente, pelo desempenho das empresas deve ser compartilhado entre corporação e trabalhador.

De um lado, o funcionário deve colocar limites em horários e balancear a vida pessoal e profissional, ambas passando pelo ambiente doméstico. Já a empresa deve, além de oferecer aparato tecnológico para o trabalho, promover um ambiente virtual seguro e amigável de conexão entre a equipe, além de realocar benefícios e oferecer flexibilidade ao funcionário.