Quem é que não gosta de ser cuidado, de receber atenção, de se sentir apoiado nas decisões que precisa tomar? Ainda mais quando esse suporte vem de dentro de casa. “A maioria das pessoas, até pelas próprias circunstâncias da vida, é relativamente imatura. Elas querem ser olhadas pelos outros em suas necessidades”, aponta o professor Tito Lívio Ferreira Vieira, da Estácio Curitiba.

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Segundo ele, que atua há pelo menos 34 anos como psicólogo clínico, por mais “bem resolvida” que a pessoa seja emocionalmente, ela vai querer ser encorajada por alguém – é algo nosso, do ser humano. “O que faz com que a gente leve isso, também, para o casamento”, constata.

A especialista em terapia familiar sistêmica e professora do curso de Psicologia da Universidade Positivo, Samarah Perszel de Freitas, considera a postura de afirmação (com palavras de incentivo e ações de acolhimento) fundamental para manter o casal unido. “Uma das características para ter uma relação saudável e funcional é o fato de ter objetivos em comum. E quando um tem uma dificuldade, é extremamente importante que o outro dê apoio”, explica.

Para Samarah, no entanto, esse apoio não precisa, necessariamente, ser dito. “Tem gente que tem mais facilidade em demonstrar o que sente fazendo uma comida diferente, preparando um passeio surpresa. Ou seja, demonstra afeto de uma forma diferente. O que também é válido”, sustenta.

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Externar a linguagem do amor nem sempre é tarefa fácil. Há uma série de fatores (como criação e contexto social) envolvidos, que precisam ser levados em conta. Mas, de modo geral, os dois psicólogos avaliam que, na grande maioria das vezes, os casais até têm o encorajamento mútuo como costume no início da vida matrimonial, só que isso vai se perdendo ao longo do tempo.

“Quando acaba a paixão [lá por três ou quatro anos depois do casamento], já começa esse desafio”, declara Tito. “Muitos casais, com o passar dos anos, se perdem um pouco nas atividades da vida, e esquecem de olhar para a questão da parceria, da cumplicidade. E é essencial que esse movimento aconteça”, completa Samarah.

Antídoto

Defendendo uma relação baseada no real do outro e não nas expectativas que criamos sobre ele, o professor Tito gosta de comparar o casamento à uma casa que precisa de constante manutenção. “O primeiro passo é ter paciência com você mesmo e com o outro. De reconhecer que você não é perfeito e de que o outro também não é”, ressalta.

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Pensando em cultivar o hábito do incentivo diante das provações impostas pela vida, ele sugere o que classifica como uma “qualidade rara”: ouvir. “São poucas as pessoas que conseguem ouvir o parceiro em profundidade. Esse seria o maior antídoto. Porque aí você vai conhecê-lo internamente, vai conseguir ver as necessidades reais dele e ajudá-lo a seguir o melhor caminho”, indica.

O psicólogo reitera, ainda, que saber ouvir é uma consequência do desenvolvimento da capacidade de amar. “Na vida a dois, no longo prazo, na vida inteira, a capacidade de escuta não tem uma fórmula. Ouvir é amar. Se você é egoísta e não consegue desenvolver a capacidade de amar, não vai desenvolver um interesse sincero pelo outro”, enfatiza. Para Tito, a arte de ajudar o outro, de se comunicar bem com o outro e de encorajá-lo “tem que ser cultivada, como qualquer outra arte”.