Um estudo realizado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e publicado na revista Toxicology and Applied Pharmacology, dos Estados Unidos, concluiu que a coloroquina provoca danos em células presentes em todos os vasos sanguíneos do corpo humano.

A pesquisa, conduzida durante o doutorado de Paulo Cézar Gregório, do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia, Parasitologia e Patologia da UFPR, mostrou que a cloroquina causou dano celular. A droga, durante o estudo, resultou no funcionamento incorreto e até morte das células. “Elas param de produzir substâncias que a protegem e passam a produzir em excesso substâncias tóxicas”, explicou a professora orientadora do estudo, Andréa Emília Marques Stinghen.

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Ainda de acordo com a hipótese do estudo, a cloroquina pode afetar a circulação sanguínea e órgãos como o coração, rins e pulmões.

O comportamento das células cultivadas em laboratório é semelhante a de células endoteliais infectadas pelo vírus SarsCov-2. Por isso, os pesquisadores concluem que a lesão nas células pode contribuir com o fracasso da cloroquina como terapia para o tratamento da covid-19.

Embora haja diminuição da replicação do coronavírus in vitro, o uso da substância traz reações adversas. “Se por um lado, a cloroquina pode diminuir a replicação viral, por outro promove uma citotoxicidade que pode potencializar a infecção viral”, enfatiza Gregório.

A cloroquina já é utilizada há muitos anos para o tratamento de malária e doenças autoimunes, como o lúpus. Sobre o uso já consolidado, Gregório enfatiza que, ao utilizar qualquer medicamento, deve-se pesar os riscos e benefícios, pois não existe medicamento sem efeitos adversos. “É preferível controlar doenças graves, em troca dos efeitos colaterais do remédio (cloroquina). Assim é com toda terapia comprovada para alguma doença. Os benefícios têm que superar os riscos”, conclui.