Apesar do alívio em ver finalmente o ano de 2020 se encaminhando para o fim, a aproximação das festas de final de ano tem causado uma certa angústia em quem continua cumprindo com todas as orientações sanitárias para prevenir a covid-19. O movimento maior das pessoas entre o Natal e Ano Novo preocupa as autoridades de saúde, que já cogitam uma segunda onda de casos de coronavírus no fim de dezembro. 

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Todo cuidado é pouco, já que muita gente resolveu diminuir os cuidados. Infectologistas afirmam que negar a pandemia pode desencadear um aumento de casos sem precedentes. Por isso, a sugestão dos especialistas é propor uma comemoração diferente este ano, para celebrar a união familiar e a vida. Que tal aproveitar as duas datas para celebrar reservadamente ao lado de quem mais ama?

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Para o médico infectologista David Urbaez, do Laboratório Frischmann Aisengart, a pandemia continua e é preciso manter todas as medidas de segurança. “As mobilizações de final de ano podem criar uma segunda onda. Aos poucos as pessoas começam a se deslocar mais, num processo de faz de conta. Vai a restaurantes, shoppings, insistindo numa ideia de que está tudo controlado. Mas tudo é muito dinâmico e muito frágil”, alerta o infectologista.

Com oito meses de pandemia, é normal que todos estejam cansados da atual realidade. “As pessoas inventam mil justificativas para furar o isolamento. Mas a maior dor possível é ver alguém querido com uma doença grave que deixa sequelas ou mata. Isso é muito pior do que não se reunir no final do ano”, desabafa o médico.

Aos que vão ficar longe, vale programar uma videoconferência especial e até mesmo reviver aquele antigo costume de enviar cartões de Natal pelo correio. O mais importante nesse tempo de pandemia é expressar solidariedade e empatia, protegendo a si mesmo e também o próximo. Confira as principais dicas dos especialistas para aproveitar as festas em família em tempos de pandemia:

Grupos pequenos

Para o médico infectologista Alberto Chebabo, também do Frischmann Aisengart, o ideal é comemorar ao lado das pessoas que já convivem juntas, no mesmo ambiente. “A gente usa muito o conceito de bolhas, de reunir pessoas que tenham o mesmo tipo de exposição ao risco, que não se expõem. Tente evitar convidar pessoas que a gente não tem muito contato, como amigos e parentes. A gente não sabe os cuidados que as pessoas têm no dia-a-dia”, alerta o médico.

Aos que forem receber uma ou outra visita de outra cidade, é importante ressaltar a necessidade da testagem. “No caso da família receber um ou outro familiar, é importante que a pessoa procure fazer um teste antes de viajar. Nada de sorologia, opte sempre pelo teste RT-PCR, que consegue detectar carga viral”, orienta o infectologista David Urbaez.

Interação e visita do Papai Noel

Comemorações que envolvam apenas pessoas que já convivem diariamente na mesma casa, podem se abraçar e se cumprimentar normalmente. “A gente acaba até abrindo mais essa questão de segurança e permitindo interação desse tipo. Mas se for uma pessoa que não temos o hábito de se encontrar diariamente, essa interação pode levar a um risco de contaminação”, esclarece Chebabo.

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Com relação a visita do bom velhinho, a recomendação segue a mesma. “Uma das pessoas da família pode se fantasiar, sem precisar contratar alguém de fora”, sugere o infectologista Chebabo. 

Troca de presentes

Antes que todo mundo resolva ir atrás dos presentes nesse fim de ano, que tal se programar e comprar as lembrancinhas o quanto antes? “Procure ir em horários fora do pico, usando máscara 100% do tempo. Se estiver com aglomeração, volte depois. O ideal é ficar até 15 minutos num local fechado, sempre de máscara”, explica Urbaez. 

Uma boa estratégia é comprar um presente de cada vez, fazer compras no comércio local também pode evitar encontrar aglomerações em shoppings. “Não se deve promover contato com aglomeração e em local fechado. As estratégias de segurança continuam sendo as mesmas”, reforça. Antes de entregar o presente, vale a pena deixar ele num cantinho, de “quarentena”, para prevenir qualquer tipo de contaminação. Vale também desinfetar a embalagem com álcool gel.

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Ceia programada

Para ter mesa farta com ceia bem feita será preciso planejamento. Afinal, vésperas de Natal e Ano Novo costumam lotar supermercados e com a pandemia, é imprescindível evitar aglomeração. Portanto, planejar os pratos que serão feitos, fazer uma lista e ir às compras com tudo planejado e antecipadamente é o mais seguro. 

O ideal é comprar o quanto antes. Peças de carne e aves podem ser comprados antecipadamente, sendo conservados congelados. Ingredientes enlatados, compotas e mantimentos secos também podem ser adquiridos com antecedência. Apenas deixe para comprar perto da data os alimentos frescos como vegetais, verduras e frutas. Uma dica é comprar de um pequeno comércio de bairro, uma quitanda, ao invés de enfrentar longas filas nos supermercados de grandes redes varejistas.