Discutido há mais de um ano na Câmara Municipal de Curitiba, o projeto de lei que cria o Polo Gastronômico e Cultural do Petit Batel foi aprovado por unanimidade em primeira discussão na manhã desta quarta (2). O texto cria uma espécie de ‘nanobairro’ com o fomento ao empreendedorismo semelhante ao adotado em áreas como Notting Hill, de Londres; Chelsea Market, de Nova York; e Zona T, de Bogotá.

O Petit Batel compreende o quadrilátero formado pelas ruas Desembargador Motta, Alferes Ângelo Sampaio, Comendador Araújo e Alameda Doutor Carlos de Carvalho, que concentra uma grande quantidade de bares, restaurantes, cafeterias, livrarias e galerias de arte comandados por empresários locais.

No projeto, os vereadores Felipe Braga Côrtes (PSD) e Alex Rato (Patriotas), autores da proposta, afirmam que o objetivo é incentivar o desenvolvimento comercial e turístico da região com ações previstas na legislação municipal que reconhece a criação de polos gastronômicos.

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Entre estes incentivos estão a flexibilização de projetos de caráter provisório que utilizem o passeio; a autorização simplificada para a realização de eventos e intervenções decorativas, a preferência para o fechamento de ruas em datas comemorativas, entre outros.

“Os empresários, moradores e artistas do Petit Batel começaram a discutir isso há quase dois anos para atrair melhorias e mais movimento de pessoas para o bairro. Há pouco tempo, o vereador Bruno Pessutti (Podemos) conseguiu aprovar uma lei semelhante para o polo da rua Prudente de Morais, que beneficiou muito os moradores e comerciantes da região. Há esse e tantos outros pela cidade que só melhoraram as regiões onde estão instalados”, explica Braga Côrtes.

A ideia do projeto de lei foi levada ao vereador após 104 moradores e comerciantes da região firmarem um abaixo-assinado para tornar o bairro um polo gastronômico. A proposta é uma ação do movimento Batel Soho, iniciativa semelhante dos empreendedores da região da Praça da Espanha criada no início da década para incentivar o comércio e o turismo, unir ações e promover atividades culturais.

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Braga Côrtes afirma que a criação do polo gastronômico do Petit Batel não trará custos extras para a prefeitura além do que já é previsto, visto que muitas das ações de melhorias no bairro serão bancadas pelos próprios comerciantes através de parcerias com a iniciativa privada. Ao poder público caberá autorizar ou não as demandas pretendidas.

“O projeto prevê parcerias com órgãos privados, uma construção a várias mãos. Como o plano diretor já prevê isso para os polos gastronômicos, podem ser feitas parcerias como a execução de uma obra diferenciada, uma jardinagem diferente, por exemplo, com esse grupo dividindo custos”, explica lembrando que isso vai otimizar a utilização do 156 para o encaminhamento de demandas específicas mais organizadas ao poder público.

Veja como é a área abrangida pelo projeto do Petit Batel:

Empresários da região receberam com animação a aprovação do projeto, pelo menos em primeiro turno. Um dos mais recentes a abrir um negócio ali é Leonardo Macedo, sócio-fundador da doceria Nanica Brasil, aberta na Rua Coronel Dulcídio.

Para ele, a criação do Petit Batel enaltece ainda mais a região, valorizando o bairro e criando melhores opções de lazer e entretenimento. “Com certeza trará mais entretenimento e eventos para o público e ao comércio, e tornando também mais um polo gastronômico e de turismo para a cidade”, diz.

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Já Gaby Schroeder, sócia do restaurante Grés Gastronomia, está a uma rua de distância do perímetro do Petit Batel, no alto da Praça da Espanha. No entanto, o fato de estar ‘na borda’ do nanobairro não será nenhum impeditivo para também se beneficiar das vantagens de fazer parte do polo gastronômico.

“Apoiamos essa votação positiva na expectativa de ainda mais incentivo à nossa região. Temos muito potencial por aqui e essa valorização vai impulsionar os negócios, ainda mais depois de um ano tão desafiador. Muito além disso, é uma oportunidade única de propor ao turista e ao curitibano uma opção completa em lazer, gastronomia e entretenimento para toda a família”, afirma.

O projeto volta à discussão em segundo turno já nesta quinta (3), e depois será remetido à prefeitura para a sanção ou veto.

Inspiração estrangeira

Entre os exemplos estrangeiros trazidos pelo projeto como inspiração para a criação do Petit Batel está o famoso bairro londrino de Notting Hill. Eternizado no filme de 1999 estrelado por Julia Roberts e Hugh Grant, a região se caracteriza pelas dezenas de pequenos comércios de empresários locais de alimentação, livrarias, ateliês, entre outros, além de uma feira de artesanato aos sábados e um carnaval de rua promovido pela comunidade jamaicana que vive lá.

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Já o Chelsea Market, citado como um polo gastronômico em Nova York, é um grande mercado semelhante ao nosso Mercado Municipal com empórios e restaurantes de diversas culinárias. O bairro onde ele está instalado, o Chelsea, é um distrito histórico do século 19 que passou a atrair diferentes tipos de comércio em meados da década de 1990, com negócios que refletem a diversidade étnica e social dos moradores, galerias de arte, ateliês e alimentação.

Com características semelhantes, a chamada Zona T de Bogotá se diferencia de seus pares de ser totalmente fechada ao trânsito, com calçadões rodeados de bares e restaurantes com as mais variadas culinárias, lojas de grife, hotéis boutique e shoppings centers. A região começou a se desenvolver também em meados da década de 1990, e recebeu fortes investimentos em policiamento e planejamento urbano para atrair turistas e moradores até a madrugada. Hoje é um dos locais mais visitados da cidade.