Quem tem alguma doença vascular periférica, como varizes, deve ficar atento na hora de começar algumas atividades físicas. Antes de começar algo mais pesado, é preciso buscar um médico especialista que avalie o grau da doença (e se ela pode ser tratada com cirurgia) e se há fatores de risco e comorbidades desconhecidas do paciente – e assintomáticas – como diabete, hipertensão ou coronariopatia.

Para quem tem as varizes, uma doença que a depender do grau pode causar dificuldade de retorno sanguíneo ao coração quando a pessoa se encontra parada, em pé ou sentada, são mais indicados exercícios que promovam a contração e alongamento dos músculos das pernas, como caminhadas, esteira ou bicicleta.

“A natação e a hidroginástica são bem úteis ao facilitarem o retorno venoso por falta da ação da gravidade quando dentro d’água, além de fortalecerem e alongarem os músculos”, diz o cirurgião vascular e endovascular Calogero Presti.

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Além das varizes, outras doenças vasculares periféricas comuns são a trombose venosa e doença arterial obstrutiva periférica, cuja incidência e gravidade aumentam com a faixa etária e na presença de comorbidades, sedentarismo, tabagismo, obesidade, hábitos alimentares.

Para todos os casos, quando não há impeditivos, o exercício fisiológico – caminhadas habituais e exercícios de alongamento – , é salutar e deve ser estimulado em qualquer idade. “Caso a ideia seja entrar em esportes competitivos, como corridas, maratonas, levantamento de peso, musculação modeladora, aí a avaliação médica é obrigatória”, diz Presti, que é membro do Conselho Superior da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular.

O benefício do exercício para quem tem varizes

Os pacientes com doença vascular periférica se beneficiam dos exercícios aeróbicos quando habitual e frequente, principalmente a caminhada, esteira, pedalar e a natação, que promovem o fortalecimento da musculatura do coração, aumentando a capacidade cardiorrespiratória.

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“O coração bombeia maior volume de sangue a cada contração, o que leva à redução da frequência cardíaca em repouso e durante a atividade física. Promove também a melhora da pressão arterial,  o nível do bom colesterol no sangue, o HDL, e ajuda na prevenção das doenças vasculares arteriais. Adicionalmente, ajuda a controlar o açúcar no sangue. Aumenta o fluxo sanguíneo para todas as partes do corpo, fortalece os músculos, auxilia  a manter a mobilidade articular à medida que ocorre o envelhecimento”, diz ele, lembrando que a OMS recomenda para adultos, de 18 e 64 anos, exercícios aeróbicos de leves a moderados, por no mínimo 150 minutos semanais, fracionados, incluindo caminhada na rua, corrida leve, hidroginástica e bicicleta.

Cuidados no home office

Presti lembra que durante a pandemia ficar muito tempo parado em uma mesma posição, em pé ou sentado, pode prejudicar a circulação venosa nas pernas, dificultando o retorno do sangue venoso e favorecendo o aparecimento de dor e edema nas pernas.

“A imobilidade é fator de risco para tromboflebites ou trombose venosa dos membros inferiores. Em geral, é aconselhável intercalar 15 minutos de atividade física a cada 30 minutos de trabalho, movimentando os braços, as pernas, respirando livremente, andando ou fazendo alongamento”, diz ele.