O desentendimento aconteceu pela manhã. Ele foi trabalhar irritado e sem se despedir, ela realizou todas atividades do dia estressada, e os dois ficaram lembrando da briga.

Quando se encontram novamente em casa, cada um vai para um cômodo da residência, jantam em momentos diferentes, não conversam e deitam para dormir de costas um para o outro sem ao menos desejar “boa noite”. O resultado? Nenhum deles dorme direito, os desentendimentos no trabalho e com os filhos se intensificam no dia seguinte e fica ainda mais difícil sentar para conversar, entender o cônjuge e perdoá-lo.

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“Quanto mais o tempo passa, mais os problemas do casal ganham volume, trazem desconforto emocional e geram memórias traumáticas”, explica a psicóloga Patricia Santiago. “É como se o cérebro começasse a criar novos arquivos mostrando que o indivíduo foi maltratado, que não foi compreendido e até mesmo que não será possível curar aquela dor”, completa.

Assim, algo simples – que poderia ter sido resolvido no mesmo dia – se torna maior, envolve outros fatores do casal e gera consequências físicas e emocionais. “Ambos ficam estressados, têm dificuldade para descansar, a mulher pode ganhar peso ao encontrar na comida a sensação de bem-estar que não há no relacionamento e ainda pode desenvolver um quadro depressivo”, pontua a especialista.

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No caso da costureira Elizabeth Alves Braun, por exemplo, os problemas que encontrou no início do casamento trouxeram tristeza, solidão e falta de apetite. “Eu já tinha histórico de depressão, então o pouco tempo em que eu e meu marido ficávamos brigados era bem difícil para mim”, recorda a mineira, que viu a situação piorar depois do nascimento do filho Samuel. “O Carlos saía jogar futebol e me deixava sozinha cuidando do menino”, conta.

Como o casal morava em São Paulo e todos os parentes eram de Minas Gerais, a mãe de primeira viagem não tinha ninguém para ajudá-la com o bebê e decidiu expor ao companheiro o que sentia. “Contei como aquilo me machucava e lembro que ele começou a intercalar os dias de jogos, ficando mais comigo e até me levando para passear”, relata a costureira, que completou 22 anos de casamento em 2020. “Com o tempo, nós aprendemos a nos ouvir e a fazer coisas simples que deixam o outro feliz. Deu certo”.

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Humildade

Segundo Patricia, esse é o segredo para estabelecer um bom relacionamento e ter abertura para corrigir eventuais falhas. “Não adianta você chegar para o cônjuge falando que ele está errado, brigando e o julgando”, afirma a especialista, ao garantir que essa postura coloca o outro em posição de defesa e dificulta ainda mais a resolução do problema.

Por isso, em vez de apontar o erro, a especialista aconselha o indivíduo que se sentiu desconfortável com alguma situação a avaliar o que a atitude lhe causou e, então, expor o fato ao marido ou à esposa da forma mais tranquila possível. “O ideal é iniciar a conversa dando segurança ao outro, falando que tem total interesse no relacionamento, que é feliz em diversas situações e que o ama”.

Depois disso, com tom de voz calmo e bastante paciência, é hora de falar dos seus sentimentos, mostrando como determinada ação o afeta e pedindo auxílio do cônjuge para mudar aquilo. “Você não vai dizer que o outro está errado, mas que é uma sensibilidade sua, que aquela situação está te fazendo mal e que você precisa da ajuda dele ou dela”, aconselha a psicóloga, ao garantir que essa abordagem gera compaixão e faz com que marido ou esposa se coloque no lugar do companheiro.

Com isso, a chance de os dois buscarem um meio-termo e solucionarem a questão aumenta significativamente e pode até auxiliar casais que sofrem devido ao orgulho excessivo de um deles. “Essas pessoas não admitem que estão erradas, mas você não vai apontar erros. Vai apenas pedir ajuda para solucionar um problema”, explica. “Por isso, é importante que esse acerto seja realizado no mesmo dia do desentendimento. Afinal, quanto mais o tempo passa, pior fica”.

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